Brasil: epicentro de assassinatos de LGBTs?

No dia 2 de março, uma câmera de segurança flagrou a execução brutal de Priscila, uma travesti de 22 anos, em Belo Horizonte, MG. Menos de 24 horas depois, outra travesti foi baleada na mesma cidade e na semana seguinte, mais uma foi assassinada em São Paulo, e seu corpo jogado num terreno abandonado.

Dono do maior índice de violência transfóbica do mundo, o Brasil registra uma explosão de homicídios de pessoas LGBT – mais de 250 no ano passado. O clima não é nada amigável para transexuais e travestis, lésbicas, gays e bissexuais no Brasil. À medida que essa violência brutal vai crescendo, vidas de LGBTs estão sendo literalmente ceifadas nas ruas do país que é considerado líder global na defesa dos direitos humanos e que tem no Rio de Janeiro o título de melhor destino gay do mundo.


Desde 2006, algumas lideranças no Senado tentam aprovar o Projeto de Lei da Câmara que puniria os crimes de ódio contra LGBTs e poria mais pressão nas polícias locais no sentido de proteger esta população. No entanto, devido a acordos estabelecidos durante a campanha presidencial, a presidente Dilma Roussef tem se omitido a esse respeito. Em nome de acordos políticos para garantir sua eleição, a presidente se afasta do prometido papel de “mãe do povo brasileiro”, e vem permitindo que continuem os ataques violentos por motivação transfóbica, lesbofóbica e homofóbica de que temos notícias todos os dias.

Se milhares de nós, no Brasil e no mundo inteiro, dedicarmos um momento de nossos dias para lembrar a vida roubada de Priscila e nos opusermos ao ódio contra transexuais, travestis e homossexuais, podemos influenciar a presidente Dilma a seguir o caminho da justiça e proteger pessoas como Priscila e tantas outras que diariamente arriscam suas vidas simplesmente ao colocar os pés fora de casa. Você dedicaria um instante para pedir à presidente Dilma que declare imediatamente seu apoio a esta lei que poderá salvar vidas? É uma pequena ação que poderá fazer uma enorme diferença:

www.allout.org/br/priscila

A batalha contra a transfobia, a lesbofobia e a homofobia no Brasil não se limita apenas ao poder legislativo. Um movimento contrário aos avanços conquistados por grupos que lutam pela igualdade de direitos espalha-se também pelas redes sociais. Em novembro de 2010, o termo “homofobia sim!” apareceu como um dos dez mais mencionados no Twitter no país, acompanhado por uma onda de mensagens de ódio, tais como “homossexuais são o câncer desse país” e “mate um viado, vamos fazer um favor a ele porque eles vão queimar de qualquer jeito”.

Quando este tipo de discurso violento toma as ruas, a imprensa rapidamente trata de lançar a culpa sobre a pessoa que sofreu o ataque, especialmente quando se tratam de mulheres transexuais e travestis como Priscila. Descrevem-nas como vítimas de um estilo de vida clandestino, associado a drogas e prostituição. Porém, o problema maior combina uma cultura e um sistema legal que sinalizam à população que atacar e até matar pessoas LGBT não é nada de mais – “deixa pra lá”. Apenas no último fim de semana, mais dois homicídios brutais ocorreram: uma travesti morreu baleada em São Paulo, e um homem gay foi esfaqueado e teve os olhos arrancados, aparentemente caracterizando mais um crime de ódio, no estado do Amazonas, região norte do Brasil.

A lei em tramitação no Senado não vai apagar a homofobia da sociedade, mas vai transmitir uma mensagem poderosa dizendo que LGBTs brasileiras e brasileiros são iguais a todas as pessoas diante da lei, merecem os mesmos direitos e proteções que todas as demais cidadãs e cidadãos do Brasil.

Você vai assinar esta carta à presidente Dilma pedindo que ela declare publicamente seu apoio à aprovação dessa medida desesperadamente necessária o mais rápido possível? Se alcançarmos 10 mil assinaturas, iremos com os demais grupos defensores dos direitos LGBT no Brasil entregar a carta diretamente à presidente Dilma.

www.allout.org/br/priscila

“Este foi um assassinato muito cruel, não podemos deixar que isso continue acontecendo”, disse (a) Anyky Gonçalvez de Lima, uma ativista travesti com o Centro de Luta Pela livre Orintação Sexual de Belo Horizonte/MG. Anyky lembra de como Priscila gostava de se divertir, de seu senso de humor. “Se não lutarmos contra isso, as meninas vão continuar morrendo”.

Assine agora, por Priscila e por brasileiras e brasileiros que lutam pelo direito de viver sem ataques de ódio.

Tudo de bom e vamos All Out!

Andre, Jeremy, Joseph, Prerna, Tile, Wesley e toda a equipe de All Out.
www.allout.org

All Out está juntando pessoas em todos os cantos do planeta e de todas as identidades – lésbicas, gays, heterossexuais, transgêneros e todas as variações possíveis entre essas e além – para construir um mundo onde todas as pessoas possam viver livremente e sejam acolhidas por serem quem são.

 

FONTES:

PLC122
http://www.senado.gov.br/atividade/materia/consulta.asp?Tipo_Cons=6&orderby=0&Flag=1&RAD_TIP=PLC&str_tipo=XXX&selAtivo=XXX&selInativo=XXX&radAtivo=S&txt_num=122&txt_ano=2006&btnSubmit=pesquisar

Travesti é morto com nove tiros na Afonso Pena
http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2011/03/02/interna_gerais,212936/travesti-e-morto-com-nove-tiros-na-afonso-pena.shtml

Travesti assassinado no Morumbi II
http://www.urgencia190.com.br/noticias_detalhes.php?travesti-assassinado-no-morumbi-ii&ID=NTcz

Homophobic hate crimes spreading throughout Brazil
http://blog.amnestyusa.org/iar/homophobic-hates-crimes-spreading-throughout-brazil/

Número de assassinatos de gays no país cresceu 62% desde 2007, mas tema fica fora da campanha
http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010/mat/2010/10/16/numero-de-assassinatos-de-gays-no-pais-cresceu-62-desde-2007-mas-tema-fica-fora-da-campanha-922804348.asp

Reported Deaths of 91 Murdered Trans Persons from November 20th 2009 to November 19th 2010
http://www.transrespect-transphobia.org/uploads/downloads/TMM/TvT-TMM-TDOR2010-Tables-en.pdf

Não Homofobia
http://www.naohomofobia.com.br/lei/index.php

Marta Suplicy acredita que novo Senado é favorável à lei anti-homofobia
http://www.dolado.com.br/noticias/marta-suplicy-acredita-que-novo-senado-e-favoravel-a-lei-anti-homofobia.html

“Governo Dilma: direitos humanos como foco”
http://dilma.pt/governo-dilma-direitos-humanos-como-foco

Você acha que não existe Homofobia? #HomofobiaNão #PL122Sim
http://www.youtube.com/watch?v=YG8EKh9RWXQ&feature=player_embedded#at=17

Anúncios

A Graça e a Glória

Associação das Travestis aprovam o desempenho de Carolina Ferraz em papel de cinema

O longa ‘A Graça e a Glória’ começa a ser rodado no início de 2011, tendo os bairros cariocas de Copacabana e Glória como principais locações.

Léo Martinez Do EGO, no Rio


Com o início das filmagens previsto para 2011, o longa “A Graça e a Glória” já está dando o que falar. Tendo Carolina Ferraz na dupla função de atriz e produtora, o filme contou com uma assessoria especial formada por travestis de uma ONG carioca.

“Apresentamos para a Carolina os extremos da nossa vida, do lado mais baixo até o mais elevado, digamos assim. No começo, achamos que ela fosse ficar assustada com nossa vida, mas ela sempre se demonstrou muito entusiasmada e cheia de disponibilidade de aprender um pouco desse universo. Teve um dia em que estava chovendo muito aqui no Rio e a gente já havia agendado uma visita aos pontos de prostituição. Marcamos uma reunião antes e, quando ela chegou, a primeira coisa que ela disse foi se teria algum problema se a gente saísse na chuva. Isso foi fantástico”, contou Marjorie Marchi, na noite desta quarta-feira, 29.

Marjorie disse que já trabalhou como profissional do sexo e hoje em diia divide seus horários com reuniões militantes da causa homossexual e com a função de presidente da ASTRA – Associação das Travestis e Transexuais do Estado do Rio.

Ainda em entrevista ao EGO, a travesti contou que as amigas também prestaram consultoria para a escolha do figurino e maquiagem que serão usados por Carolina no cinema: “Ela está aprovada para viver com todo realismo essa personagem travesti sem cair na caricatura. Passamos tudo para ela, desde a maquiagem, o figurino e a maneira como a gente se comporta. “

Os desafios para atriz Carolina Ferraz

Empenhada com o projeto, que passou um tempo guardado na gaveta, Carolina Ferraz exaltou o desafio de viver uma personagem carregada de sentimentalismo: “Elas foram muito fofas comigo durante o nosso laboratório. Estou me sentindo bem tranquila para esse papel. É um universo incrível e diferente. Nessas nossas saídas, eu observei o comportamento das meninas na rua e entrevistei 62 pessoas envolvidas com o tema.”

A história de ‘A Graça e a Glória’

Para entender melhor o enredo do filme, o roteirista Mikael Alburquerque contou ao EGO a sinopse do longa. “Trata-se da história de uma mulher de meia idade que tem dois filhos e um irmão, vivido pela Carolina, que aparece como a travesti Glória, quando fica sabendo que sua irmã faleceu. A Glória vai entrar na história assumindo a figura materna e brigando pela guarda dos sobrinhos. A partir de então, a história se desenrola. Escolhemos alguns bairros bem tradicionais no Rio de Janeiro como a Glória e Copacabana onde ainda existe a prostituição de rua. Não se trata de um filme sobre travestis e sim uma relação entre esse mundo menos explorado e a realidade que a grande maioria conhece”

%d blogueiros gostam disto: