Gentileza gera gentileza, ou como levar uns tapas no ônibus

A falácia carioca

A falácia carioca

__________________________

Tomei meu banho, vesti a roupa de trabalho e fui pegar o ônibus diário. Uso o antigo C-10, agora renumerado para 010, para fazer o trajeto casa-trabalho, todos os dias. É uma linha de bairro, circular, que atende muitos velhinhos e velhinhas do bairro de Fátima, quase nunca está lotado, os ônibus são pequenos e não tem cobrador. Vários deles levam um adesivo avisando que aquele carro foi dedetizado contra insetos e outras pragas. Logo que entrei, uma baratinha daquelas pequenas subia pela parede do ônibus, bem próxima à porta de entrada.

Já no final da Riachuelo, ouvi uma mulher perguntar ao filho se o sorvete estava bom, e logo depois um “ah, jogou no chão, não quer mais. Não pegue não, meu filho, que o chão está sujo”. Lembrei da barata, do calor, pensei no sorvete derretendo e nas pessoas pisando e espalhando aquela meleca. Olhei para trás, lá estava o finalzinho de uma casquinha, cheia do doce creme branco e marrom. O ônibus estava em movimento, pensei, quando parar ela vai recolher, né? Parou, nada. Mais uma parada e um passageiro deu sinal no ponto. Olhei para trás, lá estava ainda o cone, no mesmo lugar.

Olhei para a mulher, e discretamente pedi que recolhesse o sorvete. Ela olhou para mim com uma cara de incrédula. Seria isso mesmo que ela estava pensando?? Repeti: por favor, senhora, pode recolher o sorvete, para que o passageiro não pise e espalhe o sorvete? Ou pode juntar bichos dentro do ônibus. Qual não foi a resposta dela senão um sonoro “tá incomodada, então vem pegar”. Impaciente, mas ainda educada, levantei-me do estreito lugarzinho que me cabia e recolhi o sorvete. Coloquei no colo dela, de maneira que não escorresse. Mal me virei e senti o SPLASH no meu braço, já acompanhado de gritos de “tá louca?”, “abusada” e daí para baixo. Não acreditei. Pensei na bolsa que eu tinha acabado de arrumar, nem em sonho havia ali um lencinho, uma echarpe, um guardanapo, nada para me limpar.

Respirei, fiquei pensando em várias coisas: na educação que ela recebeu, coitada, e na que está dando àquela criança de uns dois anos que a acompanha. Pobre criança. Viverá entre baratas, ratos e vermes? Dificilmente, creio. Ele tava bem limpinho e ela, apesar de tudo, também tinha uma aparência limpa. Fiquei imaginando, mas nem quis olhar, a sujeira que – agora sim – aquele SPASH deve ter causado no ônibus – e que venham as baratas!

Mas o carioca tá acostumado a conviver com o lixo, né? Eu, a forasteira, é que estou errada. Afinal, "não pago as contas dela para dizer o que ela tem ou não que fazer", né.

Chegou meu ponto, dei sinal. Ela estava exatamente atrás de mim. Deu vontade – muita mesmo – de pisar bem forte no pé dela, mas ela tirou antes, e eu sou fina. Deu vontade de limpar meu braço nela, e a posição era favorável. Mas não seria de bom tom, e não ia me igualar àquela iguana gigante. Ela se encolheu quando passei. Perguntei se ela havia ficado com medo de… eu ia dizer de eu sujá-la como ela fez comigo. Obviamente que a “lady” não me deixou terminar a frase e soltou um “medo de você? é ruim, hein!”. Minha educação desapareceu num instante, e levei o braço ao dela, para que ela ficasse com a meleca do sorvete do filho.

PLÁ, PLÁ, PLÁ! Não só ela partiu para cima de mim como disse que ia chamar a polícia (!!!). Levantou-se e desferiu mais alguns tapas no meu braço, nas minhas costas. Choquei. Um homem veio dos fundos para me tirar de perto dela e ao chegar na porta comigo, disse: a senhora, também, já vinha criando caso desde lá atrás… Falei “mas moço, a sujeira no ônibus…” e ele “ué, mas o que é que tem?” O que eu sou? Uma OTÁRIA, óbvio. O-T-Á-R-I-A, assim com um O bem grande e redondo bem no meio da minha cara, estampado.

Dilema: numa próxima vez, deixo a sujeira no meio do ônibus, piso em cima e ajudo a espalhar? Grito no meio do ônibus que a mulher é uma porca, imagine como deve ser a casa dela, coisas do tipo? Faço nada e fico com dor de estômago por ver o serviço público que me custa caro – no imposto e na passagem – ser tratado com descaso e dilapidado assim, à frente dos meus olhos? Que fique dito: revidar com violência, especialmente na frente de crianças, jamais será uma opção para mim, a menos que represente risco real à minha integridade, ou à de meus filhos e crias.

Novo Campeche, Florianópolis

Cidade Maravilhosa... cada povo tem o governo que merece?

Miniflashback: certa vez, Marina Silva (aquela que eu admirei um dia) foi vistar Santa Catarina, e encontrou-se com o governador Espiridião Amim em Florianópolis. Opositores partidários, trocavam ali algumas amabilidades quando ele perguntou a ela: viu como minha cidade está linda, Senadora? Ao que ela respondeu, naquela tranquilidade que lhe é peculiar: sim, governador, especialmente naquilo que Deus cuida. Aqui no Rio é assim. O Rio de Janeiro continua lindo, naquilo que é de “Deus” cuidar – a natureza, paisagem, a silhueta da cidade com suas formas sinuosas… Mas é cada dia mais podre na cultura local, na micropolítica local, nas relações humanas. É uma pena.

Definitivamente, não pertenço a esse lugar.

Anúncios

Gay é agredido por gogo boy no Cine Ideal

Recebi o e-mail abaixo por uma das listas LGBT que participo. Por essa e por outras similares é que não entendo como o Rio conseguiu angariar o título de melhor destino gay do mundo, e acho anacrônico o fato de ser a cidade que propôs as principais matérias no avanço legal dos direitos para essa população. Leia.

Eu, Leonardo Peixoto, 26 anos, gay, morador da cidade do Rio de Janeiro, pedagogo, professor do município do Rio de Janeiro, fui expulso na madrugada deste sábado, dia 20 de março, por volta das 03:00 da Boate Cine Ideal, localizada na Rua da Carioca, 64 após presenciar agressão de um gogo-boy a um freqüentador da casa.

O gogo-boy desceu do “queijo” e deu dois tapas no peito de um freqüentador da casa. Ao presenciar a reação do gogo-boy, eu e meu amigo Paulo Victor procuramos a responsável pela gerência. Solicitamos que o gogo-boy fosse identificado e que a gerência tomasse alguma providência, uma vez que, enquanto gays e freqüentadores da casa, não poderíamos estar em um ambiente onde as pessoas eram tratadas dessa forma pelos funcionários da boate.

A gerente Cecília, disse que se o gogo-boy fez isso era porque ele tinha motivos. E perguntou se por um acaso fomos nós os agredidos. Argumentamos que nenhuma violência física cometida por um funcionário da casa é justificada, e que a gerência não poderia compactuar com tal postura. A gerente ignorou nossa reclamação, não dando a devida atenção e por muitas vezes olhando para o lado fazendo de conta que não estava falando com ninguém.

Identificamos a vítima da agressão no interior da boate e fomos conversar com o chefe da equipe de segurança Sr. Simões. Inicialmente, o chefe ouviu a reclamação e fomos conversar com a gerente Cecília. Nesse momento, Simões me pede para entrar na boate. Eu disse que estava acompanhando a conversa e que não iria sair dali, até porque já havia iniciado uma conversa anterior com a Cecília. Dois outros seguranças que estavam na porta da boate falaram para eu entrar. Eu disse que estava participando da conversa. Foi quando três ou quatro seguranças me colocaram a força para fora da boate. Tentei questionar o que estava acontecendo, mas fui ignorado e expulso da casa. Acionei o 190.

Quando a viatura chegou, os PMs pediram para que entrássemos na viatura eu e mais duas testemunhas, para nos levar à Delegacia. Foi quando um dos seguranças se aproximou da viatura e se apresentou como inspetor de polícia. Dizendo ao PM “Sou inspetor ‘fulano’ (não me recordo o nome) e o rapaz de azul (eu) não foi expulso da casa não. Ele pode entrar a hora que quiser.” O PM respondeu: “Mas ele está indo registrar ocorrência”. E partimos com a viatura.

O registro da ocorrência foi realizado na 1ªDP, após resistência do Inspetor de plantão, que alegou inicialmente que estávamos em local de “putaria” sabendo que só tem confusão e depois queríamos registrar ocorrência. Independentemente das opiniões pessoais do investigador, registramos a ocorrência, que será encaminhada para a 5ªDP.

Muitas coisas me revoltam nesse fato:

1 ) A falta de preocupação da gerência da casa em saber que um cliente foi agredido dentro do seu estabelecimento por um funcionário. Percebemos claramente que a política do estabelecimento acha que os gays devem ser tratados com violência, uma vez que ao questionar o fato também fui agredido e fui expulso da casa.

2) A maneira como um inspetor de polícia, fora do seu local de trabalho, se apresenta aos PMs como “inspetor”, antes mesmo de falar seu nome. Qual era a intenção?

3) A forma como fomos recebidos na Delegacia de Polícia, como se estivéssemos errados e como se não tivéssemos que registrar o fato.

Confesso que fiquei com medo, mas o medo não vai me silenciar. Peço o apoio de Toni Reis – ABGLT, Claudio Nascimento – SuperDir/Seasdh, Carlos Tufvesson – Coordenadoria da Diversidade Sexual Rio, Grupo Arco-Íris, ao meu partido PSOL, aos deputados eleitos pelo meu partido, em especial Dep. Fed. Jean Wyllys, para que este caso não seja mais um arquivado e enterrado.

A luta aqui não é contra a gerente, contra o chefe de segurança da casa ou contra os inspetores de polícia. A luta é contra a política de uma instituição, que aparentemente está a serviço da comunidade LGBT, mas que na realidade se mostra pouco preocupada com os direitos dessa comunidade. Uma casa que foi palco de algumas festas de abertura oficial da Parada LGBT do Rio de Janeiro, mas que na realidade pouco se importa com o movimento. Uma boate relativamente nova, se comparada à boates tradicionais do Rio, e que mostra como o mercado LGBT vem se desenvolvendo. E qual é a relação que nós do movimento LGBT estamos estabelecendo com essas empresas?

Lutamos também contra uma política de estado. É triste, mas a doce verdade é que estes inspetores de polícia, também são vítimas da política de segurança pública do Rio de Janeiro. Uma política de segurança pública que coloca o tempo todo a polícia armada contra a população. Que conseguiu através do discurso dizer que marginal e bandido é a mesma coisa.

Sou um marginal. Mas saibam que o bandido não sou eu. Em algum momento roubaram de mim o direito de viver dignamente como todo cidadão homem, heterossexual, branco e de classe média/alta. Só quero de volta esse direito que é meu. Apesar de eu nunca ter visto, eu sei que ele existe.

Leo Peixoto

Twitter: @Prof_LeoPeixoto

O Rio de Janeiro ORGULHOSAMENTE apresentaaaaaaa!…

… a 2ª Caminhada de Lésbicas e Mulheres Bissexuais do Estado!!!!

Cerca de 100 lésbicas e mulheres bissexuais caminharam no último domingo do Posto 6 ao Posto 2 da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, sob o lema “Lésbicas e mulheres bissexuais pelo fim da violência contra todas as mulheres”.

A segunda edição da caminhada, organizada pelo Fórum de Lésbicas e Mulheres Bissexuais do Estado do Rio de Janeiro com o apoio da SUDIM e da SUPERDIR (SEASDH)*, celebrou o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, 29 de agosto, referência à data de inauguração do primeiro Seminário Nacional de Lésbicas – SENALE. Organizado em 1996 por ativistas lésbicas do Rio de Janeiro, o primeiro SENALE contou com a participação de mais de cem militantes de vários estados do Brasil que pela primeira vez pensaram em ações e políticas nacionais para a cidadania das mulheres homoafetivas.

A segunda Caminhada de Lésbicas e Bissexuais coloriu a Avenida Atlântica com muito orgulho e alegria, ao mesmo tempo informando à população de Copacabana e do Rio de Janeiro por que caminhamos e lutamos: políticas públicas igualitárias e justas, que contemplem toda a população do estado, INCLUSIVE as lésbicas e mulheres bissexuais.

Em primeiro lugar, as políticas de segurança pública, seguridade social e combate à violência contras as mulheres. As mulheres que se relacionam afetivo-sexualmente com outras mulheres têm sido expostas à violência doméstica, familiar, estupros e outras medidas violentas chamadas “corretivas” da homossexualidade, sejam perpetradas por pessoas da comunidade, familiares, pais, tios, irmãos, ou mesmo por desconhecidos nas ruas, pelo simples fato de expressar o seu afeto a outra mulher. Quando em sitação de cárcere, as mulheres que se relacionam com outras mulheres são expostas a todo tipo de humilhação, impedidas de receber suas companheiras sob o argumento de que não há parentesco, não têm direito a visitas íntimas e, ainda, recebem atendimento de saúde ainda mais precário do que o oferecido às detentas com orientação heterossexual. Uma vida digna e sem violência é um direito de todas as mulheres. Por isso, políticas para lésbicas são políticas igualitárias de segurança pública, políticas carcerárias igualitárias e que respeitem os direitos humanos das mulheres, e políticas de formação integral de agentes policiais e de segurança para a diversidade.

A violência, física e psicológica, também acontece por parte de mães, avós, irmãs, tias e outras tutoras, responsáveis e autoridades, no ambiente doméstico, de trabalho, nas escolas, hospitais e delegacias… em todos os espaços de atendimento e serviço público à população. É preciso desenvolver e implementar políticas públicas de educação igualitária, para a diversidade e democrática, marcando o princípio constitucional da igualdade perante o Estado em todas as instâncias do processo educativo, envolvendo toda a comunidade escolar e as famílias em processos integrais de educação para a cidadania, para que mães, pais, a comunidade escolar, a comunidade em geral compreendam a importância da não-discriminação por sexo, orientação sexual e identidade de gênero para o desenvolvimento humano. Por isso, políticas para lésbicas são políticas igualitárias de educação, moradia, inclusão digital e acesso às cidades.

Nos cuidados com a saúde, somos submetidas a um tratamento diferenciado em unidades de atendimento, postos de saúde, hospitais, clínicas e consultórios, tanto públicos quanto privados. Diferenciado porque os e as profissionais não tiveram, na sua formação, nenhum tipo de sensibilização para os temas da diversidade sexual, para a complexidade possível no exercício da sexualidade, tampouco para os direitos sexuais E REPRODUTIVOS de mulheres que não se relacionem sexualmente apenas com homens. Não queremos tratamento diferenciado de ninguém; queremos bom tratamento e atenção de qualidade a saúde para todas as pessoas. Queremos ter tratamento igualitário. Lésbicas e mulheres bissexuais estão expostas a todas as doenças sexualmente transmissíveis, em

especial as hepatites virais, mas até o momento não são contempladas com nenhuma política de informação, prevenção e tratamento que considerem as especificidades da prática sexual entre mulheres. Estando ainda expostas aos estupros “corretivos”, estão vulneráveis ao contágio pelo HIV, e nessa situação ficam ainda mais vulneráveis quanto à saúde mental. Por isso, políticas para lésbicas são políticas igualitárias de saúde integral.

Lésbicas e mulheres bissexuais, assim como todas as pessoas, também podem querer formar – ou não – suas próprias famílias, ter filhos e filhas, gerados no próprio ventre ou no ventre de outras mulheres. Política para lésbicas é uma política igualitária de adoção.

Nós, lésbicas e mulheres bissexuais, também encontramos a nossa “outra metade da laranja”, vivemos conjugalmente, construímos patrimônio, constituímos família, mas não podemos ter planos de saúde familiar, receber a visita da companheira quando estamos internadas, nossas companheiras não podem tomar decisão em caso de cirurgia ou tratamento intensivo de saúde, não podemos receber pensão em caso de morte da companheira ou em caso de separação quando há descendentes. Por isso, política para lésbicas é o casamento igualitário para todas as pessoas.

Dizendo tudo isso, atravessamos Copacabana ao som animado do trio elétrico, convidando todas as famílias para dançarem conosco na avenida, sorrindo e mostrando nosso orgulho a todas as pessoas que passeavam pelo calçadão, dialogando com a sociedade e mostrando nosso respeito a toda a comunidade e dizendo que tudo o que queremos é o direito de ser igual a todo mundo, como diz a Constituição e outros livros orientadores de atividades humanas – a Bíblia, por exemplo. (“Ama ao teu próximo como a ti mesmo”… não era assim?)

Em 2010, caminhamos com uma quantidade muito menor de pessoas na pista, mas todas as pessoas que estavam em Copacabana nos acompanharam, nos escutaram, nos viram e nos respeitaram. Paramos o som exatamente às seis da tarde, permitindo a abertura da pista aos automóveis sem causar nenhum transtorno, e ainda tivemos o apoio de moradoras e moradores.

Esse evento nos confirma: SEM ORGULHO NÃO HÁ VISIBILIDADE. SEM VISIBILIDADE NÃO HÁ CIDADANIA.
Obrigada, Copacabana! Obrigada, Rio de Janeiro!! Juntas e juntos, somos mais fortes! E VAMOS QUE VAMOS!

Queremos os mesmos direitos, com os mesmos nomes.

——————————————————————
SUDIM: Superintendência dos Direitos das Mulheres; SUPERDIR: Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos; SEASDH: Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos; órgãos do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

[RJ] Trocando Ideias: Mulheres Jovens na Defesa de Seus Direitos

O Núcleo de Mulheres Jovens da CAMTRA acaba de abrir inscrições para JOVENS MULHERES DE 15 A 29 ANOS para participarem do curso “Trocando Ideias Mulheres Jovens na Defesa de Seus Direitos”. O curso acontece em setembro e tem a duração de dois dias. Os assuntos abordados serão sexualidade, gravidez não planejada, gênero, violência contra a mulher, diversidade sexual, doenças sexualmente transmissíveis, entre outros.
As inscrições podem ser feitas até o dia 15 de setembro e podem ser feitas através deste e-mail ou o MULHERESJOVENS@CAMTRA.ORG.BR. Também aceitamos as inscrições feitas através do nosso telefone: 2544-0808 e, se preferir, pode entregar sua ficha de inscrição na sede da CAMTRA, no seguinte endereço:
Rua da Lapa, 180, sala 806 (de 9h às 18h).
PARTICIPE!!
CAMTRA – Casa da Mulher Trabalhadora
Rua da Lapa, 180, sala 806 – Centro
Telefax: (21) 2544 0808
Correio eletrônico:
noticias@camtra.org.br
camtra@camtra.org.br

RJ: Lançamento de lençol protetor para sexo oral

Terra nua

Acabo de deixar Brasília rumo ao Rio, e estou sentada à janela do avião. Fazia meses que eu não viajava com céu limpo, livre de chuvas e nuvens pesadas, turbulências. O sono vem, mas ao decolar, olho para baixo e levo um susto. Estranho a quantidade de circunferências tatuadas no solo do meu cerrado, plantações de soja e outras commodities.

Anos atrás, voltando de São Paulo a Brasília, estranharam-me também as circunferências. Era tempo de “Sinais”, e eu ria fazendo piadinhas com o filme. O motivo do estranhamento era a novidade daqueles desenhos tão perfeitos, vistos de cima. Por que redondo? Que tal tecnologia será essa?, eu me perguntava. Uma aqui, outra acolá, deviam ser novidade, perdidas no meio do cerrado ralo e seco.

Hoje, a tristeza bate. Saindo de Brasília elas dominam o mosaico lá embaixo, composto de enormes círculos interligados por linhas de terra – que devem ser caminho para trator ou algo do tipo – envoltos por áreas igualmente devastadas.

Estamos nos primeiros dias de fevereiro. Precisamente, dia dois de fevereiro, dia de Iemanjá. Tempo de flores no cerrado, colorido de amarelos, roxos, rosas, brancos, vermelhos e verdes… O céu aqui embaixo de mim está flocado de daquelas nuvens velhas conhecidas que pintam o céu de Brasília. Por baixo delas, no entanto, tudo verde puro, ton sur ton.

Tive medo de não ver as árvores que tanto aliviam a sensação de calor seco quando passeamos pelo cerrado. Ah! Ali estão. Consigo ver filetes de mata acompanhando o curso dos velhos rios. Velhos, frágeis, resistentes sobreviventes da morte que se espalha em campos de soja e gado “tipo exportação”. Será mesmo que esses homens pensam ser suficiente dar-lhos apenas essa estreita faixa de sombra para que não sequem e morram de vez? Se olhassem daqui, se reparassem nesse sol que brilha no céu ampla e vastamente, escalda a terra e seca o ar do cerrado, saberiam que os rios têm muito mais sede do queos fios dágua que eles deixaram podem saciar.

Agora vejo! Alguém salvou um pedacinho de mata lá embaixo. Deve ser aquele “percentual” obrigatório de preservação ambiental. Ocupa mais ou menos (mais pra menos que pra mais) um oitavo da área da janela do avião, na minha perspectiva, num ângulo próximo de 45º abaixo de mim. Já devemos estar a uns 15 minutos de viagem.

Quanta aridez. Quanta avidez! Quanta avareza!

Que cabeça tão seca pode ter idealizado tamanha destruição?

Vamos já a cerca de 35 minutos de viagem. Devemos estar sobrevoando Minas Gerais. A terra que se vê é mais clara, esbranquiçada, e o terreno mais acidentado. Morros, ranhuras na terra engilhada. Até vejo algo que se parece a um cânion. Por entre as frestas das montanhas, verdinhos mais escuros denunciam que a tecnologia dos homens de cabeça seca ainda não aprenderam a plantar soja e gado nas encostas dessas serras. UFA! Mas basta aparecer uma planiciezinha para virem junto as placas de cores homogêneas. Verde escuro, verde mais claro, marrom, amarelo.

A terra nua, arrasada, estruprada. E o povo passa fome. E o mundo tem sede.

Flashmob no Galeão

Quem vem sempre por aqui viu há algum tempo postagens mostrando algumas ações de flash mob que uma empresa de telefonia promoveu em Londres. Uma vez foi um tantão de gente na Trafalgar Square cantando Hey Jude, dos Beatles. Outra vez foi uma coreografia numa estação de metrô.

No dia 20 de janeiro, uma empresa aérea homenageou o santo padroeiro do Rio de Janeiro, São Sebastião, com uma flash mob (mobilização instantânea) no aeroporto internacional Antônio Carlos Jobim, ou Galeão.

MUITO LEGAL!

%d blogueiros gostam disto: