Carnavalirizando

 

bloquinho na zona sul

 Tinha de um tudo do que tem na classe média. Velhas, crianças, gente bonita elegante e sincera, tudo bem alvinho. Não achei ninguém que eu conhecesse. O bloco estava ensaiando em etapa visivelmente preliminar. Achei que poderia encontrar ali alguma companhia boemia, alguém interessante; mas não foi o caso. Saí, rumei pro ponto. Chegou meu ônibus, entrei. Um rapaz avisou ao motorista, enquanto eu entrava, que um senhor cego estava pedindo entrada pela porta de trás. Ele entrou e anunciou lá do fundo ao cobrador que ficaria na passarela três. Todo mundo já sabe, avenida brasil. Cobrador orientou que se sentasse mais à frente. Lá vem ele tateando. Vem vindo, vem vindo, eu achando fofo tudo isso. Tinha assento bem na frente do cobrador, mas ele escolheu sentar-se ao meu lado. Fim da fofisse. Cheiro de mijo da porra.

Ponto perto da Glória, três pessoas com sotaque latino consultam ao condutor: Lapa? Galera no busão: siiiiii!! Yeeeeeeishhh! Entram e animadamente conversam durante o curto trajeto de três paradas.

imageO senhorzinho cego se justifica: foi muita chuva esses dias, cancelou meu cartão. Eu desço na passarela três e entro pra favela. Outro dia cheguei todo encharcado. Mas vai ser bom porque agora vou fazer uns exames, vou pegar um cartão com direito a acompanhante.  Assinto que acho digno, ele precisa e provavelmente merece.

Lapa. Cobrador: Lapa! LA PA, pausadamente, para o trio turista entender e ficar onde queria, no meio do fervo.

Meu ponto está chegando, então peço licença ao senhor cego. Ele se vira de ladinho, com todo cuidado, e agradeço para ele saber já pode voltar à posição.

Bom carnaval, minha filha.

Para o senhor também.

 

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