Flor e Flora

– Oi.
– Seu pai tem boi?
– Tem não, babaca, tem vaca.
HAHAHAHAHAAHAHA

Por pouco mais de dois anos, esse diálogo foi algo corriqueiro de se escutar na minha casa, entre eu, meu filho, minha filha e o Pedro, melhor amigo de infância do meu irmão Zé, que tinha por mim uma paixonite de adolescência até os seus 13 anos, e que aos 23 veio passar um fim de semana na minha casa. Ficou esse período de pouco mais de dois anos, e só nos “separamos” porque mudei de cidade. Era tipo um casamento antigo: vivíamos sob o mesmo teto, dividíamos as tarefas domésticas e o cuidado com as crianças, mas não fazíamos sexo. Por isso, digo que Pedro é(ra) o meu “marido hétero”.

Não, ele não me converteu ao “heterossexualismo” – risos!! Mas foram dois doces anos que dividimos o mesmo apê e as mesmas crias, contas, empregada, louça… O que aprendi de mais marcante com Pedro? Amar grátis. Pedro gosta de espalhar amor feito bolinhas de sabão. Com ele aprendi a frase que um dia vou tatuar nas costas, igualzinho ele fez: “o mundo é bom porque é sortido”. Ele quer ter uma filha para poder chamá-la de um nome de flor. Violeta Matallo. Margarida Matallo. Rosa Matallo. Por enquanto, ele tem uma Flora, que não é Matallo no registro, é Mota. E quem precisa de registro civil quando o amor é mais?

O amor é mais, muito mais, no seio dessa família que junta Pedro Matallo com a mãe de Flora Mota, dona de uma voz particularmente linda e de uma tranquilidade de fazer parar maremoto. Luciana Oliveira estava preparando o Benjamim de Oliveira Matallo quando gravou esse clipe, que ela chama de Flor e Flora, e eu de “Amor Grátis”.

Deliciem-se.

Vítimas de homofobia e racismo em São Paulo poderão fazer denúncias pela internet

A partir desta terça-feira, dia 8, quem for vítima de homofobia e/ou racismo poderá fazer denúncias pela internet. Nessa data, a Secretaria de Participação e Parceria (SMPP), a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (Cads) e a Coordenaria dos Assuntos da População Negra (CONE), em parceria com a Coordenadoria de Inclusão Digital (CID), lançarão o Centro de Referência On Line.

Ao fazer a denúncia, é preciso especificar detalhes, como local, horário, pessoas envolvidas e o tipo de discriminação sofrida. Todas as informações encaminhadas são sigilosas.

Para quem não possuí acesso à internet, a iniciativa possibilita que as denúncias sejam por meio dos Telecentros espalhados pela cidade. As denúncias deverão ser feitas pelo preenchimento de um formulário disponível no site www.prefeitura.sp.gov.br/smpp.

Atualmente, a SMPP disponibiliza o serviço presencial de denúncias no Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate a Homofobia (Pateo do Colégio, 5 – 1º andar) e no Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate ao Racismo, localizado no segundo andar do mesmo endereço.

Redação da Agência de Notícias da Aids

Financiar o ódio é um mal negócio

Graças ao PayPal, enviar e receber dinheiro através de continentes e entre moedas nacionais é mais fácil do que nunca – mas o PayPal também é responsável por assegurar-se de que esta tecnologia não caia nas mãos erradas. Vários grupos extremistas, violentos e anti-LGBT estão usando o PayPal para arrecadar fundos a suas causas perigosas.

Promover “ódio, violência, [e] intolerância racial” não é apenas contra as regras do PayPal;  estes grupos de ódio também prejudicam a marca e a credibilidade da companhia.

Vamos pedir ao PayPal que se una à luta contra o ódio na internet e que feche imediatamente as contas de grupos extremistas anti-LGBT?

ASSINE AQUI.

A Graça e a Glória

Associação das Travestis aprovam o desempenho de Carolina Ferraz em papel de cinema

O longa ‘A Graça e a Glória’ começa a ser rodado no início de 2011, tendo os bairros cariocas de Copacabana e Glória como principais locações.

Léo Martinez Do EGO, no Rio


Com o início das filmagens previsto para 2011, o longa “A Graça e a Glória” já está dando o que falar. Tendo Carolina Ferraz na dupla função de atriz e produtora, o filme contou com uma assessoria especial formada por travestis de uma ONG carioca.

“Apresentamos para a Carolina os extremos da nossa vida, do lado mais baixo até o mais elevado, digamos assim. No começo, achamos que ela fosse ficar assustada com nossa vida, mas ela sempre se demonstrou muito entusiasmada e cheia de disponibilidade de aprender um pouco desse universo. Teve um dia em que estava chovendo muito aqui no Rio e a gente já havia agendado uma visita aos pontos de prostituição. Marcamos uma reunião antes e, quando ela chegou, a primeira coisa que ela disse foi se teria algum problema se a gente saísse na chuva. Isso foi fantástico”, contou Marjorie Marchi, na noite desta quarta-feira, 29.

Marjorie disse que já trabalhou como profissional do sexo e hoje em diia divide seus horários com reuniões militantes da causa homossexual e com a função de presidente da ASTRA – Associação das Travestis e Transexuais do Estado do Rio.

Ainda em entrevista ao EGO, a travesti contou que as amigas também prestaram consultoria para a escolha do figurino e maquiagem que serão usados por Carolina no cinema: “Ela está aprovada para viver com todo realismo essa personagem travesti sem cair na caricatura. Passamos tudo para ela, desde a maquiagem, o figurino e a maneira como a gente se comporta. “

Os desafios para atriz Carolina Ferraz

Empenhada com o projeto, que passou um tempo guardado na gaveta, Carolina Ferraz exaltou o desafio de viver uma personagem carregada de sentimentalismo: “Elas foram muito fofas comigo durante o nosso laboratório. Estou me sentindo bem tranquila para esse papel. É um universo incrível e diferente. Nessas nossas saídas, eu observei o comportamento das meninas na rua e entrevistei 62 pessoas envolvidas com o tema.”

A história de ‘A Graça e a Glória’

Para entender melhor o enredo do filme, o roteirista Mikael Alburquerque contou ao EGO a sinopse do longa. “Trata-se da história de uma mulher de meia idade que tem dois filhos e um irmão, vivido pela Carolina, que aparece como a travesti Glória, quando fica sabendo que sua irmã faleceu. A Glória vai entrar na história assumindo a figura materna e brigando pela guarda dos sobrinhos. A partir de então, a história se desenrola. Escolhemos alguns bairros bem tradicionais no Rio de Janeiro como a Glória e Copacabana onde ainda existe a prostituição de rua. Não se trata de um filme sobre travestis e sim uma relação entre esse mundo menos explorado e a realidade que a grande maioria conhece”

Parada reúne público de 100 mil pessoas em prol do orgulho LGBT

Fonte: A Gazeta do Acre

Um verdadeiro sucesso! Assim pode ser resumida a VI edição da Parada Gay (ou do Orgulho LGBT – Lésbicas, Gays, Bi e Transexuais). Com uma imensidão de cores vivas tomando conta do Segundo Distrito da cidade, o maior espetáculo da diversidade bateu todos os recordes com  público surpreendente de 100 mil pessoas, conforme estimativas oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.Foram recebidos desfilantes de todo o Estado, além de comitivas de vários cantos do país. Uma vitória massiva para a causa!
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A estimativa é referente a todos os eventos da parada, desde  concentração na Gameleira (com show cover da Lady Gaga) e o desfile pela Via Chico Mendes, até o show de encerramento com a banda Moinho no estacionamento do estádio Arena da Floresta.

Com tamanha participação popular, a parada já é uma das maiores festas acreanas. E tem tudo para consolidar ainda mais este título. Em comparação com o desfile de 2009, que teve 75 mil pessoas, a mobilização de público deste ano foi 25% (1/4) maior. Já em relação ao quantitativo da sua 1ª edição (2005), a diferença é mais acentuada ainda, com acréscimo de quase 6 vezes (566,66%), ou seja, saltou de 15 para 100 mil pessoas.

De acordo com Germano Marino, presidente da Associação dos Homossexuais do Acre (Ahac), o público inicial esperado era de 75 mil pessoas, depois passou para 80 mil. Isto é, o desfile deste ano superou todas as melhores expectativas da entidade. Para o ativista homossexual, o ponto mais positivo é que isso mostra a presença das famílias acreanas em prol da celebração da causa LGBT, condenando práticas socialmente exclusivas, tais como o preconceito, a discriminação, o estereótipo e/ou a indiferença.

“Com esta edição, não podemos dizer que a parada só atingiu suas metas. Ela foi muito além, superando todas as nossas melhores projeções. E o mais importante foi ver tantas classes da sociedade acreana misturadas, envolvidas, convivendo entre si sem nenhum tipo de constrangimento. Foi uma festa onde vimos ricos e pobres lado a lado”, afirma.

Espetáculo pacífico – Outra grande conquista conceitual para o movimento LGBT foi o andamento da Parada Gay sem casos de violência. Conforme Germano Marino, a PM e o Detran não registraram nenhuma ocorrência de tumulto, desordem ou confusão antes e durante toda festa (relacionado), tanto na parte de policiamento, quanto de trânsito.

“Foi um evento tranqüilo, com violência zero. Por isso, atraiu tantas pessoas de fora. Só de Rondônia foram 3 ônibus lotados de participantes, além daqueles que preferiram vir de avião. Também recebemos um grande público do interior do Estado”, completa ele.
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Emanuelle Araújo da banda Moinho

Para entender direito o caso Calcanhoto de Moraes

Adriana Calcanhoto encontra sua cara metade, Suzana de Moraes, E SE… UNE CIVILMENTE, porque CASAMENTO não é um direito para LGBT no Brasil

Do blog DIREITOS FUNDAMENTAIS LGBT, por Carlos Alexandre Lima

A cantora Adriana Calcanhoto está oficialmente junto com a cineasta Suzana de Moraes, filha do músico Vinicius de Moraes. Segundo o jornal “O Dia” desta quarta-feira (8), Adriana e Suzana já moravam sob o mesmo teto, mas agora declararam a união civil na justiça, já que o casamento entre homossexuais não é reconhecido.

Para celebrar o evento, as duas fizeram uma festa para amigos e familiares na segunda-feira (6).

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Duas mulheres de sucesso profissional, famosas, bonitas, inteligentes e sensíveis se encontraram há um bom tempo (Suzana já dirigiu Calcanhoto há muitos anos atrás) e se uniram. Formaram um indiscutível casal lindo, mas diferente dos demais casais, não puderem exercer o direito ao casamento.

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A notícia extraída da mídia faz menção à declaração da união na justiça, sugerindo que foi ajuizada uma ação de declaração de união estável, entretanto, não é pouco comum o equívoco da imprensa, considerando o registro em cartório da união civil como se fosse uma ação declaratória da união estável em juízo. Os efeitos da união civil e da união estável são absolutamente diferentes.

No entanto, considerando que a matéria jornalista está absolutamente correta e Adriana Calcanhoto e Suzana de Moraes realmente ingressaram na justiça para ver declarada a ‘união estável’, garantindo bem mais direitos que a ‘união civil’ somente registrado em cartório, cumpre esclarecer a todos que, ainda assim, entre a união estável e o casamento civil possui um verdadeiro abismo que os distanciam, em direitos e reconhecimentos legais.

Então, faz diferença, união estável declarada e reconhecida na justiça para casamento civil? Pode não fazer para o amor que as uniu, mas para os direitos delas, enquanto casal, faz sim, muita diferença.

Acontece que os efeitos jurídicos do casamento são diferentes daqueles previstos para as uniões informais. Há vários indicadores na lei civil de que união estável e casamento não se equivalem.

A primeira delas, afeta a dignidade da pessoa e atinge moralmente a parceria de forma moral: a união estável não confere estado civil de “casada”, obrigando que nos documentos públicos as companheiras se declarem “solteiras”. Besteira? Não considero. Moralmente é uma repugnante afronta, que nos golpeia na dignidade pessoal.

Mas outras distinções não se restringem a esfera moral. Enquanto o casamento possui um regime de bens a ser escolhido pelas companheiras, na união estável aplicam-se as regras, até onde couber, do regime da comunhão parcial de bens.

Outra sensível diferença se mostra no campo da prova da existência da união: enquanto o casamento se materializa numa certidão, capaz de provar por si só a existência do vínculo, resta àqueles que constituíram união estável, muitas vezes, provar através da declaração, por sentença, a sua condição de companheiro, após a morte do outro.

As diferenças não cessam por aqui.

Pelo vigente Código Civil, a maior desproporção quanto aos efeitos entre casamento e união estável reside no direito sucessório.

Veja-se primeiramente as disposições quanto aos direitos sucessórios no casamento: excluindo-se o regime da separação bens obrigatória, em todos os demais, inclusive no regime da separação absoluta de bens o cônjuge será herdeiro quanto aos bens que compõem o patrimônio particular do cônjuge falecido.

Entenda-se: bens particulares são aqueles adquiridos antes do casamento e supervenientes por doação ou herança. Além de ser herdeiro legal, o cônjuge é também herdeiro necessário (aquele a quem a lei assegura uma cota de bens, não podendo ser preterido na transmissão da herança), concorrendo com os descendentes e ascendentes do cônjuge falecido, figurando nas três classes sucessórias de maior relevância.

Conta, ainda, o cônjuge com o direito real de habitação em caráter vitalício, quanto ao imóvel pertencente ao falecido cônjuge, assegurando-lhe permanência no imóvel em que residia o casal (não mais restrito ao estado de viuvez, mas enquanto viver, independentemente de constituir outra união).

Nada disto ocorre na união estável. O diploma civil determina que o companheiro participe apenas quanto aos bens adquiridos a título oneroso durante a convivência. É o que determina a letra da lei.

Seria uma espécie de meação, já que são aplicadas as regras do regime da comunhão parcial de bens: o que significa dizer que terá metade do patrimônio adquirido durante a união estável. Em relação à esfera de bens particulares, o companheiro não terá direito, ficando apenas para descendentes do falecido ou, na ausência destes, para seus ascendentes. É o entendimento de grande parte da doutrina.

Quem constituiu uma união estável, prioriza a relação informal, decide por uma união cujos efeitos não geram direitos sucessórios ao companheiro quanto à esfera de bens particulares, segundo dicção do art. 1790 do vigente código.

Contrair casamento e constituir união estável são situações diferentes do ponto de vista da própria natureza e requisitos das espécies de união e, principalmente, no que tange à produção de efeitos jurídicos post mortem.

A lei oferece dois institutos (casamento e união estável) com efeitos distintos exatamente para que as pessoas elejam o que melhor lhes convêm. Mas ambos no Brasil, discriminatoriamente, não são destinados e nem possíveis para os homossexuais, que devem se contentar com a “união civil registrada em cartório”. Como todos sabem, o Governador Sergio Cabral do Rio de Janeiro e a Procuradoria Geral da República ingressaram com ações judiciais no Supremo Tribunal Federal para verem reconhecido na justiça, ao menos, o direito de casais homossexuais a ‘união estável’ (ainda sem expresso reconhecimento legal na lei)

No caso das meninas, parece que obtiveram direito a esta declaração da união estável na justiça. Apenas, MENOS PIOR!

A união civil confere menos direitos que a união estável que, por sua vez, possui efeitos e direitos bem menores que o casamento civil.

No Brasil, apenas heterossexuais possuem o direito de escolher se desejam optar pela união estável ou o casamento. Significa dizer, a vontade dos heterossexuais é respeitada, eles podem escolher se querem atribuir ao companheiro os direitos que a lei confere ao cônjuge, contraindo núpcias e conferindo todos os efeitos sociais e sucessórios inerentes à condição de cônjuge, desde que o queiram. Ou decidir pela união estável, com seus efeitos legais, próprios desse instituto.

Casais homossexuais, não podem se casar, e se quiserem a união estável, tem que LUTAR na justiça para TENTAR verem reconhecidas sua união na justiça e concederem alguns direitos aos seus respectivos companheiros.

Fontes:

http://www.abril.com.br/entretenimento/noticias/adriana-calcanhotto-oficializa-uniao-filha-vinicius-moraes-594473.shtml

http://www.pgj.ce.gov.br

O casamento civil é direito

Carlos Tufvesson
Estilista

[O Dia, 08/09/2010] Rio – Em 15 de julho, o Senado da Argentina aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O que isso significa? Que esses cidadãos têm, a partir daquela data, os mesmos direitos que qualquer cidadão argentino, direitos e deveres que um deputado, quando faz uma lei, entende que dois cidadãos que dividam sua vida em comum possuem — de acordo com uma constituição que diz que a lei é igual para todos.

Isso não mudará as leis da Igreja Católica ou evangélica ou muçulmana ou quiçá dos terreiros de umbanda daquele país. Nenhuma religião será obrigada a casar ninguém, pois a lei se refere ao Código Civil Argentino e, como disse no artigo publicado na semana passada, cada religião possui suas próprias leis e regras e ninguém mudá-las.

Significa apenas, e nada além disso, que direitos tais como declarar imposto de renda em comum, direitos a herança, partilha de bens, somar empréstimo para aquisição de casa própria, entre outros 78 que são direitos constitucionais de qualquer cidadão brasileiro, nós, cidadãos homossexuais deste País, teríamos também, corrigindo um flagrante descumprimento constitucional.

Por isso, tomo por ignorância e manipulação de massas essa caça às bruxas que existe contra essa lei por parte de religiosos, já que ela nada tem a ver com religião. Isso aconteceu da mesma maneira com a lei do divórcio, igualmente combatida na época de sua aprovação e discussão em sociedade.

Discursos clamorosos como o da “extinção da família” e “lei do Anti-Cristo” eram ouvidos tal e qual. O que vemos hoje? Vale na justiça dos homens, mas as igrejas continuam não aceitando. E assim deve ser.

Estado e religião quando se misturam não governam para todos os cidadãos. Isso não esquecendo que, desde as cruzadas, é a maior causa das guerras em nosso planeta.

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