Caiu na rede é… zzzzzzzz…..

Há alguns dias, li, me diverti e me identifiquei com um post da Luciana Assunção sobre gente que tem facilidade para dormir em aviões. Ela tinha ido passar um feriado com a irmã em Buenos Aires e comentava que não consegue entender como é que tem gente que mal senta na poltrona e a cabeça já começa a cambalear pra um lado, pro outro, pra frente, e até gente que ronca, tão profundo o sono voador. Ela, que tem um certo medo de avião, não consegue.

A identificação foi imediata. Não é que eu não consiga dormir em avião, mas como boa aquariana e pessoa ansiosa que sou, dependendo do destino não tem Morfeu que me agarre nos braços. Um vôo Brasília-Rio, Rio-São Paulo, o outro destino doméstico em geral não me tiram o sono. Pelo contrário. Como sempre levo comigo alguma leitura para matar o tempo, basta começar aquele zunido das turbinas que o sono já vem vindo. A menos que seja uma viagem muito rápida, e se eu tiver dormido bem nos dias anteriores, a soneca é certa.

Agora, quanto mais distante e desconhecido o destino, mais longe também passa o sono. Da primeira vez que fui à Europa, Brasília-São Paulo-Amsterdam em 2006, quase não dormi durante o vôo. Assisti a todos os filmes possíveis, li, andei pelos corredores, tomei sorvete Hagen Daaz (KLM arrasa)… Dormir, que é bom, só depois que entrei na van que me levou, junto com outras participantes do mesmo evento, para a minúscula Egmond aan Zee. Eu estava tão esgotada que dormi profundamente e não pude contemplar os verdes campos de lá, cheios de vaquinhas malhadas. Em dado momento, escutei as várias latinas exclamarem um “ai que lindo!”. Acordei sobressaltada, olhei pela janela e disse em bom portugês: “olha, as baleias!”. Eram os para-quedas do povo que treinava kite-surfing, e eu jurei que as baleias voavam. Risinhos discretos ressoaram na van.

Egmond aan Zee - festival de kitesurfing

Outra situação inesquecível foi a viagem ao Vietnã, para participar de um congresso. Eu já vinha cansada de alguns dias, prévia de viagem é sempre assim, e o vôo era vespertino. De modo que acordei cedo pela manhã, dei conta de vários afazeres domésticos, preparei a casa para uma ausência de quas três semanas, rumei para o aeroporto. Doze horas e pouco até Paris, para uma conexão de mais doze horas. Nada de sono. Tentava, mas não conseguia dormir. Para piorar, não havia TV individual por poltrona, apenas monitores maiores por corredor. Assisti Marley e Eu, e não lembro mais o que. Tentei trabalhar, ler, mas a mulher que estava na poltrona da frente insistiu para que eu apagasse a luz de leitura, pois finalmente as três crianças que ela levava haviam dormido. Que raiva…

Com doze horas de conexão, eu não tinha por que ficar mofando aqui no Charles De Gaulle, de onde escrevo esse post, e fui dar uma volta pelo centro da cidade. Notre Damme, República, o Sena, Bastilha, um café aqui, um almoço ali… tudo isso com uma mochila pesadíssima nas costas. Pensei: não tem erro, vou dormir as próximas 12 horas de vôo até Hanoi. Nada. Nem assim. Chegando lá, contabilizei as horas sem dormir – foram nada menos que 50 (cin-quen-ta!) horas “no ar”, direto, sem desligar. Que raiva…

Retorno sem fim...

Mês passado fui à Tailândia e novamente assisti vários filmes durante as milhares de horas de vôo. Conexão em Dubai, significando 16 horas de vôo, sendo que a volta é mais longa porque vem contra o vento. Dubai-Bangkok é um trecho mais curto, de duas horas e meia – acho. Mas 17 horas dentro de um avião é dose pra leão, né não?

Pois agora estou indo realizar dois sonhos, um mais antigo – conhecer Istambul – e outro mais recente – participar de um Forum AWID. Passei as duas últimas semanas correndo como louca para dar conta dos compromissos e tarefas que precisavam estar prontas ANTES de viajar, e que não tem nada a ver com o que vou fazer em Istambul. Terminei o que precisava ficar pronto no sábado, quando comecei então a pensar na mala e afins – claro que esqueci luvas e protetores de orelha, e tá um frio danado. Só na sexta-feira é que fui conferir reserva em hotel, local da reunião, essas coisas. Claro que tinha problemas, mas consegui resolver. Mas toda a preparação das coisas que vou apresentar em Istambul ficaram para o avião – não durmo mesmo, certo?

ERRADO. Entrei no avião e simplesmente não consegui ficar acordada. Lu, lembrei tanto de você a cada vez que o pescoço doía e eu acordava pra mudar de posição! O bom é que a conexão dura 8 horas, então tá dando pra adiantar o trabalho.

Vai vendo…

Flor e Flora

– Oi.
– Seu pai tem boi?
– Tem não, babaca, tem vaca.
HAHAHAHAHAAHAHA

Por pouco mais de dois anos, esse diálogo foi algo corriqueiro de se escutar na minha casa, entre eu, meu filho, minha filha e o Pedro, melhor amigo de infância do meu irmão Zé, que tinha por mim uma paixonite de adolescência até os seus 13 anos, e que aos 23 veio passar um fim de semana na minha casa. Ficou esse período de pouco mais de dois anos, e só nos “separamos” porque mudei de cidade. Era tipo um casamento antigo: vivíamos sob o mesmo teto, dividíamos as tarefas domésticas e o cuidado com as crianças, mas não fazíamos sexo. Por isso, digo que Pedro é(ra) o meu “marido hétero”.

Não, ele não me converteu ao “heterossexualismo” – risos!! Mas foram dois doces anos que dividimos o mesmo apê e as mesmas crias, contas, empregada, louça… O que aprendi de mais marcante com Pedro? Amar grátis. Pedro gosta de espalhar amor feito bolinhas de sabão. Com ele aprendi a frase que um dia vou tatuar nas costas, igualzinho ele fez: “o mundo é bom porque é sortido”. Ele quer ter uma filha para poder chamá-la de um nome de flor. Violeta Matallo. Margarida Matallo. Rosa Matallo. Por enquanto, ele tem uma Flora, que não é Matallo no registro, é Mota. E quem precisa de registro civil quando o amor é mais?

O amor é mais, muito mais, no seio dessa família que junta Pedro Matallo com a mãe de Flora Mota, dona de uma voz particularmente linda e de uma tranquilidade de fazer parar maremoto. Luciana Oliveira estava preparando o Benjamim de Oliveira Matallo quando gravou esse clipe, que ela chama de Flor e Flora, e eu de “Amor Grátis”.

Deliciem-se.

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