Gay é agredido por gogo boy no Cine Ideal

Recebi o e-mail abaixo por uma das listas LGBT que participo. Por essa e por outras similares é que não entendo como o Rio conseguiu angariar o título de melhor destino gay do mundo, e acho anacrônico o fato de ser a cidade que propôs as principais matérias no avanço legal dos direitos para essa população. Leia.

Eu, Leonardo Peixoto, 26 anos, gay, morador da cidade do Rio de Janeiro, pedagogo, professor do município do Rio de Janeiro, fui expulso na madrugada deste sábado, dia 20 de março, por volta das 03:00 da Boate Cine Ideal, localizada na Rua da Carioca, 64 após presenciar agressão de um gogo-boy a um freqüentador da casa.

O gogo-boy desceu do “queijo” e deu dois tapas no peito de um freqüentador da casa. Ao presenciar a reação do gogo-boy, eu e meu amigo Paulo Victor procuramos a responsável pela gerência. Solicitamos que o gogo-boy fosse identificado e que a gerência tomasse alguma providência, uma vez que, enquanto gays e freqüentadores da casa, não poderíamos estar em um ambiente onde as pessoas eram tratadas dessa forma pelos funcionários da boate.

A gerente Cecília, disse que se o gogo-boy fez isso era porque ele tinha motivos. E perguntou se por um acaso fomos nós os agredidos. Argumentamos que nenhuma violência física cometida por um funcionário da casa é justificada, e que a gerência não poderia compactuar com tal postura. A gerente ignorou nossa reclamação, não dando a devida atenção e por muitas vezes olhando para o lado fazendo de conta que não estava falando com ninguém.

Identificamos a vítima da agressão no interior da boate e fomos conversar com o chefe da equipe de segurança Sr. Simões. Inicialmente, o chefe ouviu a reclamação e fomos conversar com a gerente Cecília. Nesse momento, Simões me pede para entrar na boate. Eu disse que estava acompanhando a conversa e que não iria sair dali, até porque já havia iniciado uma conversa anterior com a Cecília. Dois outros seguranças que estavam na porta da boate falaram para eu entrar. Eu disse que estava participando da conversa. Foi quando três ou quatro seguranças me colocaram a força para fora da boate. Tentei questionar o que estava acontecendo, mas fui ignorado e expulso da casa. Acionei o 190.

Quando a viatura chegou, os PMs pediram para que entrássemos na viatura eu e mais duas testemunhas, para nos levar à Delegacia. Foi quando um dos seguranças se aproximou da viatura e se apresentou como inspetor de polícia. Dizendo ao PM “Sou inspetor ‘fulano’ (não me recordo o nome) e o rapaz de azul (eu) não foi expulso da casa não. Ele pode entrar a hora que quiser.” O PM respondeu: “Mas ele está indo registrar ocorrência”. E partimos com a viatura.

O registro da ocorrência foi realizado na 1ªDP, após resistência do Inspetor de plantão, que alegou inicialmente que estávamos em local de “putaria” sabendo que só tem confusão e depois queríamos registrar ocorrência. Independentemente das opiniões pessoais do investigador, registramos a ocorrência, que será encaminhada para a 5ªDP.

Muitas coisas me revoltam nesse fato:

1 ) A falta de preocupação da gerência da casa em saber que um cliente foi agredido dentro do seu estabelecimento por um funcionário. Percebemos claramente que a política do estabelecimento acha que os gays devem ser tratados com violência, uma vez que ao questionar o fato também fui agredido e fui expulso da casa.

2) A maneira como um inspetor de polícia, fora do seu local de trabalho, se apresenta aos PMs como “inspetor”, antes mesmo de falar seu nome. Qual era a intenção?

3) A forma como fomos recebidos na Delegacia de Polícia, como se estivéssemos errados e como se não tivéssemos que registrar o fato.

Confesso que fiquei com medo, mas o medo não vai me silenciar. Peço o apoio de Toni Reis – ABGLT, Claudio Nascimento – SuperDir/Seasdh, Carlos Tufvesson – Coordenadoria da Diversidade Sexual Rio, Grupo Arco-Íris, ao meu partido PSOL, aos deputados eleitos pelo meu partido, em especial Dep. Fed. Jean Wyllys, para que este caso não seja mais um arquivado e enterrado.

A luta aqui não é contra a gerente, contra o chefe de segurança da casa ou contra os inspetores de polícia. A luta é contra a política de uma instituição, que aparentemente está a serviço da comunidade LGBT, mas que na realidade se mostra pouco preocupada com os direitos dessa comunidade. Uma casa que foi palco de algumas festas de abertura oficial da Parada LGBT do Rio de Janeiro, mas que na realidade pouco se importa com o movimento. Uma boate relativamente nova, se comparada à boates tradicionais do Rio, e que mostra como o mercado LGBT vem se desenvolvendo. E qual é a relação que nós do movimento LGBT estamos estabelecendo com essas empresas?

Lutamos também contra uma política de estado. É triste, mas a doce verdade é que estes inspetores de polícia, também são vítimas da política de segurança pública do Rio de Janeiro. Uma política de segurança pública que coloca o tempo todo a polícia armada contra a população. Que conseguiu através do discurso dizer que marginal e bandido é a mesma coisa.

Sou um marginal. Mas saibam que o bandido não sou eu. Em algum momento roubaram de mim o direito de viver dignamente como todo cidadão homem, heterossexual, branco e de classe média/alta. Só quero de volta esse direito que é meu. Apesar de eu nunca ter visto, eu sei que ele existe.

Leo Peixoto

Twitter: @Prof_LeoPeixoto

Brasil: epicentro de assassinatos de LGBTs?

No dia 2 de março, uma câmera de segurança flagrou a execução brutal de Priscila, uma travesti de 22 anos, em Belo Horizonte, MG. Menos de 24 horas depois, outra travesti foi baleada na mesma cidade e na semana seguinte, mais uma foi assassinada em São Paulo, e seu corpo jogado num terreno abandonado.

Dono do maior índice de violência transfóbica do mundo, o Brasil registra uma explosão de homicídios de pessoas LGBT – mais de 250 no ano passado. O clima não é nada amigável para transexuais e travestis, lésbicas, gays e bissexuais no Brasil. À medida que essa violência brutal vai crescendo, vidas de LGBTs estão sendo literalmente ceifadas nas ruas do país que é considerado líder global na defesa dos direitos humanos e que tem no Rio de Janeiro o título de melhor destino gay do mundo.


Desde 2006, algumas lideranças no Senado tentam aprovar o Projeto de Lei da Câmara que puniria os crimes de ódio contra LGBTs e poria mais pressão nas polícias locais no sentido de proteger esta população. No entanto, devido a acordos estabelecidos durante a campanha presidencial, a presidente Dilma Roussef tem se omitido a esse respeito. Em nome de acordos políticos para garantir sua eleição, a presidente se afasta do prometido papel de “mãe do povo brasileiro”, e vem permitindo que continuem os ataques violentos por motivação transfóbica, lesbofóbica e homofóbica de que temos notícias todos os dias.

Se milhares de nós, no Brasil e no mundo inteiro, dedicarmos um momento de nossos dias para lembrar a vida roubada de Priscila e nos opusermos ao ódio contra transexuais, travestis e homossexuais, podemos influenciar a presidente Dilma a seguir o caminho da justiça e proteger pessoas como Priscila e tantas outras que diariamente arriscam suas vidas simplesmente ao colocar os pés fora de casa. Você dedicaria um instante para pedir à presidente Dilma que declare imediatamente seu apoio a esta lei que poderá salvar vidas? É uma pequena ação que poderá fazer uma enorme diferença:

www.allout.org/br/priscila

A batalha contra a transfobia, a lesbofobia e a homofobia no Brasil não se limita apenas ao poder legislativo. Um movimento contrário aos avanços conquistados por grupos que lutam pela igualdade de direitos espalha-se também pelas redes sociais. Em novembro de 2010, o termo “homofobia sim!” apareceu como um dos dez mais mencionados no Twitter no país, acompanhado por uma onda de mensagens de ódio, tais como “homossexuais são o câncer desse país” e “mate um viado, vamos fazer um favor a ele porque eles vão queimar de qualquer jeito”.

Quando este tipo de discurso violento toma as ruas, a imprensa rapidamente trata de lançar a culpa sobre a pessoa que sofreu o ataque, especialmente quando se tratam de mulheres transexuais e travestis como Priscila. Descrevem-nas como vítimas de um estilo de vida clandestino, associado a drogas e prostituição. Porém, o problema maior combina uma cultura e um sistema legal que sinalizam à população que atacar e até matar pessoas LGBT não é nada de mais – “deixa pra lá”. Apenas no último fim de semana, mais dois homicídios brutais ocorreram: uma travesti morreu baleada em São Paulo, e um homem gay foi esfaqueado e teve os olhos arrancados, aparentemente caracterizando mais um crime de ódio, no estado do Amazonas, região norte do Brasil.

A lei em tramitação no Senado não vai apagar a homofobia da sociedade, mas vai transmitir uma mensagem poderosa dizendo que LGBTs brasileiras e brasileiros são iguais a todas as pessoas diante da lei, merecem os mesmos direitos e proteções que todas as demais cidadãs e cidadãos do Brasil.

Você vai assinar esta carta à presidente Dilma pedindo que ela declare publicamente seu apoio à aprovação dessa medida desesperadamente necessária o mais rápido possível? Se alcançarmos 10 mil assinaturas, iremos com os demais grupos defensores dos direitos LGBT no Brasil entregar a carta diretamente à presidente Dilma.

www.allout.org/br/priscila

“Este foi um assassinato muito cruel, não podemos deixar que isso continue acontecendo”, disse (a) Anyky Gonçalvez de Lima, uma ativista travesti com o Centro de Luta Pela livre Orintação Sexual de Belo Horizonte/MG. Anyky lembra de como Priscila gostava de se divertir, de seu senso de humor. “Se não lutarmos contra isso, as meninas vão continuar morrendo”.

Assine agora, por Priscila e por brasileiras e brasileiros que lutam pelo direito de viver sem ataques de ódio.

Tudo de bom e vamos All Out!

Andre, Jeremy, Joseph, Prerna, Tile, Wesley e toda a equipe de All Out.
www.allout.org

All Out está juntando pessoas em todos os cantos do planeta e de todas as identidades – lésbicas, gays, heterossexuais, transgêneros e todas as variações possíveis entre essas e além – para construir um mundo onde todas as pessoas possam viver livremente e sejam acolhidas por serem quem são.

 

FONTES:

PLC122
http://www.senado.gov.br/atividade/materia/consulta.asp?Tipo_Cons=6&orderby=0&Flag=1&RAD_TIP=PLC&str_tipo=XXX&selAtivo=XXX&selInativo=XXX&radAtivo=S&txt_num=122&txt_ano=2006&btnSubmit=pesquisar

Travesti é morto com nove tiros na Afonso Pena
http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2011/03/02/interna_gerais,212936/travesti-e-morto-com-nove-tiros-na-afonso-pena.shtml

Travesti assassinado no Morumbi II
http://www.urgencia190.com.br/noticias_detalhes.php?travesti-assassinado-no-morumbi-ii&ID=NTcz

Homophobic hate crimes spreading throughout Brazil
http://blog.amnestyusa.org/iar/homophobic-hates-crimes-spreading-throughout-brazil/

Número de assassinatos de gays no país cresceu 62% desde 2007, mas tema fica fora da campanha
http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010/mat/2010/10/16/numero-de-assassinatos-de-gays-no-pais-cresceu-62-desde-2007-mas-tema-fica-fora-da-campanha-922804348.asp

Reported Deaths of 91 Murdered Trans Persons from November 20th 2009 to November 19th 2010
http://www.transrespect-transphobia.org/uploads/downloads/TMM/TvT-TMM-TDOR2010-Tables-en.pdf

Não Homofobia
http://www.naohomofobia.com.br/lei/index.php

Marta Suplicy acredita que novo Senado é favorável à lei anti-homofobia
http://www.dolado.com.br/noticias/marta-suplicy-acredita-que-novo-senado-e-favoravel-a-lei-anti-homofobia.html

“Governo Dilma: direitos humanos como foco”
http://dilma.pt/governo-dilma-direitos-humanos-como-foco

Você acha que não existe Homofobia? #HomofobiaNão #PL122Sim
http://www.youtube.com/watch?v=YG8EKh9RWXQ&feature=player_embedded#at=17

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