CARTA ABERTA DO COLETIVO DE MULHERES DA ABGLT A SOCIEDADE SOBRE AS ELEIÇÕES 2010

Quando o processo eleitoral foi se desenhando e a possibilidade de duas mulheres concorrem a presidência da república do Brasil, todas nós mulheres tínhamos motivos para comemorar.Mas logo que o cenário se definiu entre os possíveis candidatos e candidatas, uma armadilha se mostrou, o uso da fé e da religião no palco eleitoral e infelizmente, uma mulher foi a protagonista.Marina Silva entrou para a disputa, usando a sua fé, a fé d@s eleitores e se mostrando contraproducente a sua história, de quem veio da floresta, de quem luta por um mundo sustentável, por um mundo melhor e por uma cultura de paz.E aí, nos questionamos nesse mundo cabe homofobia, machismo e sexismo? Senão cabe, porque usar @ eleit@r como escudo para decidir sobre assuntos de direitos humanos, por que tanta covardia?Enfim, o segundo turno veio e com ele, veio o aborto. Nos perguntamos, se fossem dois homens disputando o segundo turno, o aborto seria relevante? Ao se aproximar o dia 31 de outubro, o fundamentalismo avança e agora, os direitos civis de LGBT também estão em negociação. Que país é esse que negocia direitos humanos por fé?Nós do coletivo de mulheres feministas da ABGLT condenamos o uso da fé no processo eleitoral, o uso do aborto para desqualificar as mulheres e o uso da homofobia que mata todos os dias lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.Nós do coletivo de mulheres feministas da ABGLT condenamos aqueles e aquelas que não tem coragem de transformar o Brasil num país de todas e todos, num país onde mulheres não precisam mais ser assassinadas pelo machismo, onde mulheres não precisem viver a heterossexualidade compulsória e onde as mulheres possam ocupar os distintos espaços nas mesmas condições que os homens.Por uma sociedade justa, sem machismo, sem sexismo e sem homofobia!
Coletivo de Mulheres Feministas da ABGLT

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Carta aberta da ABGLT as candidaturas de Dilma Roussef e José Serra

Prezada Dilma e Prezado Serra, A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT, é uma entidade que congrega 237 organizações da sociedade civil em todos Estados do Brasil. Tem como missão a promoção da cidadania e defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero. Assim sendo, nos dirigimos a ambas as candidaturas à Presidência da República para pedir respeito: respeito à democracia, respeito à cidadania de todos e de todas, respeito à diversidade sexual, respeito à pluralidade cultural e religiosa. Respeito aos direitos humanos e, principalmente, respeito à laicidade do Estado, à separação entre religião e esfera pública, e à garantia da divisão dos Poderes, de tal modo que o Executivo não interfira no Legislativo ou Judiciário, e vice-versa, conforme estabelece o artigo 2º da Constituição Federal: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.” Nos últimos dias, temos assistido, perplexos, à instrumentalização de sentimentos religiosos e concepções moralistas na disputa eleitoral. Não é aceitável que o preconceito, o machismo e a homofobia sejam estimulados por discursos de alguns grupos fundamentalistas e ganhem espaço privilegiado em plena campanha presidencial. O Estado brasileiro é laico. O avanço da democracia brasileira é que tem nos permitido pautar, nos últimos anos, os direitos civis dos homossexuais e combater a homofobia. Também tem nos permitido realizar a promoção da autonomia das mulheres e combater o machismo, entre os demais avanços alcançados. O progresso não pode parar. Por isso, causa extrema preocupação constatar a tentativa de utilização da fé de milhões de brasileiros e brasileiras para influir no resultado das eleições presidenciais que vivenciamos. Nos últimos dias, ficou clara a inescrupulosa disposição de determinados grupos conservadores da sociedade a disseminar o ódio na política em nome de supostos valores religiosos. Não podemos aceitar esta tentativa de utilização do medo como orientador de nossos processos políticos. Não podemos aceitar que nosso processo eleitoral seja confundido com uma escolha de posicionamentos religiosos de candidatos e eleitores. Não podemos aceitar que estimulem o ódio entre nosso povo. O que o movimento LGBT e o movimento de mulheres defendem é apenas e tão somente o respeito à democracia, aos direitos civis, à autonomia individual. Queremos ter o direito à igualdade proclamada pela Constituição Federal, queremos ter nossos direitos civis, queremos o reconhecimento dos nossos direitos humanos. Nossa pauta passa, portanto, entre outras questões, pelo imediato reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e pela criminalização da discriminação e da violência homofóbica. Cara Dilma e Caro Serra Por favor, voltem a conduzir o debate para o campo das ideias e do confronto programático, sem ataques pessoais, sem alimentar intrigas e boatos. Nós da ABGLT sabemos que o núcleo das diferenças entre vocês (e entre PT e PSDB) não está na defesa dos direitos da população LGBT ou na visão de que o aborto é um problema de saúde pública. Candidato Serra: o senhor, como ministro da saúde, implantou uma política progressista de combate à epidemia do HIV/Aids e normatizou o aborto legal no SUS. Aquele governo federal que o senhor integrou também elaborou os Programas Nacionais de Direitos Humanos I e II, que já contemplavam questões dos direitos humanos das pessoas LGBT. Como prefeito e governador, o senhor criou as Coordenadorias da Diversidade Sexual, esteve na Parada LGBT de São Paulo e apoiou diversas iniciativas em favor da população LGBT. Candidata Dilma: a senhora ajudou a coordenar o governo que mais fez pela população LGBT, que criou o programa Brasil sem Homofobia, e o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com diversas ações. A senhora assinou, junto com o presidente Lula, o decreto de Convocação da I Conferência LGBT do mundo. A senhora já disse, inúmeras vezes, que o aborto é uma questão de saúde pública e não uma questão de polícia. Portanto, candidatos, não maculem suas biografias e trajetórias. Não neguem seu passado de luta contra o obscurantismo. A ABGLT acredita na democracia, e num país onde caibam todos seus 190 milhões de habitantes e não apenas a parcela que quer impor suas ideias baseadas numa única visão de mundo. Vivemos num país da diversidade e da pluralidade. É hora de retomar o debate de propostas para políticas de governo e de Estado, que possam contribuir para o avanço da nação brasileira, incluindo a segurança pública, a educação, a saúde, a cultura, o emprego, a distribuição de renda, a economia, o acesso a políticas públicas para todos e todas! Eleições 2010, segundo turno, em 15 de outubro de 2010. ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

A Graça e a Glória

Associação das Travestis aprovam o desempenho de Carolina Ferraz em papel de cinema

O longa ‘A Graça e a Glória’ começa a ser rodado no início de 2011, tendo os bairros cariocas de Copacabana e Glória como principais locações.

Léo Martinez Do EGO, no Rio


Com o início das filmagens previsto para 2011, o longa “A Graça e a Glória” já está dando o que falar. Tendo Carolina Ferraz na dupla função de atriz e produtora, o filme contou com uma assessoria especial formada por travestis de uma ONG carioca.

“Apresentamos para a Carolina os extremos da nossa vida, do lado mais baixo até o mais elevado, digamos assim. No começo, achamos que ela fosse ficar assustada com nossa vida, mas ela sempre se demonstrou muito entusiasmada e cheia de disponibilidade de aprender um pouco desse universo. Teve um dia em que estava chovendo muito aqui no Rio e a gente já havia agendado uma visita aos pontos de prostituição. Marcamos uma reunião antes e, quando ela chegou, a primeira coisa que ela disse foi se teria algum problema se a gente saísse na chuva. Isso foi fantástico”, contou Marjorie Marchi, na noite desta quarta-feira, 29.

Marjorie disse que já trabalhou como profissional do sexo e hoje em diia divide seus horários com reuniões militantes da causa homossexual e com a função de presidente da ASTRA – Associação das Travestis e Transexuais do Estado do Rio.

Ainda em entrevista ao EGO, a travesti contou que as amigas também prestaram consultoria para a escolha do figurino e maquiagem que serão usados por Carolina no cinema: “Ela está aprovada para viver com todo realismo essa personagem travesti sem cair na caricatura. Passamos tudo para ela, desde a maquiagem, o figurino e a maneira como a gente se comporta. “

Os desafios para atriz Carolina Ferraz

Empenhada com o projeto, que passou um tempo guardado na gaveta, Carolina Ferraz exaltou o desafio de viver uma personagem carregada de sentimentalismo: “Elas foram muito fofas comigo durante o nosso laboratório. Estou me sentindo bem tranquila para esse papel. É um universo incrível e diferente. Nessas nossas saídas, eu observei o comportamento das meninas na rua e entrevistei 62 pessoas envolvidas com o tema.”

A história de ‘A Graça e a Glória’

Para entender melhor o enredo do filme, o roteirista Mikael Alburquerque contou ao EGO a sinopse do longa. “Trata-se da história de uma mulher de meia idade que tem dois filhos e um irmão, vivido pela Carolina, que aparece como a travesti Glória, quando fica sabendo que sua irmã faleceu. A Glória vai entrar na história assumindo a figura materna e brigando pela guarda dos sobrinhos. A partir de então, a história se desenrola. Escolhemos alguns bairros bem tradicionais no Rio de Janeiro como a Glória e Copacabana onde ainda existe a prostituição de rua. Não se trata de um filme sobre travestis e sim uma relação entre esse mundo menos explorado e a realidade que a grande maioria conhece”

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