Parada reúne público de 100 mil pessoas em prol do orgulho LGBT

Fonte: A Gazeta do Acre

Um verdadeiro sucesso! Assim pode ser resumida a VI edição da Parada Gay (ou do Orgulho LGBT – Lésbicas, Gays, Bi e Transexuais). Com uma imensidão de cores vivas tomando conta do Segundo Distrito da cidade, o maior espetáculo da diversidade bateu todos os recordes com  público surpreendente de 100 mil pessoas, conforme estimativas oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.Foram recebidos desfilantes de todo o Estado, além de comitivas de vários cantos do país. Uma vitória massiva para a causa!
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A estimativa é referente a todos os eventos da parada, desde  concentração na Gameleira (com show cover da Lady Gaga) e o desfile pela Via Chico Mendes, até o show de encerramento com a banda Moinho no estacionamento do estádio Arena da Floresta.

Com tamanha participação popular, a parada já é uma das maiores festas acreanas. E tem tudo para consolidar ainda mais este título. Em comparação com o desfile de 2009, que teve 75 mil pessoas, a mobilização de público deste ano foi 25% (1/4) maior. Já em relação ao quantitativo da sua 1ª edição (2005), a diferença é mais acentuada ainda, com acréscimo de quase 6 vezes (566,66%), ou seja, saltou de 15 para 100 mil pessoas.

De acordo com Germano Marino, presidente da Associação dos Homossexuais do Acre (Ahac), o público inicial esperado era de 75 mil pessoas, depois passou para 80 mil. Isto é, o desfile deste ano superou todas as melhores expectativas da entidade. Para o ativista homossexual, o ponto mais positivo é que isso mostra a presença das famílias acreanas em prol da celebração da causa LGBT, condenando práticas socialmente exclusivas, tais como o preconceito, a discriminação, o estereótipo e/ou a indiferença.

“Com esta edição, não podemos dizer que a parada só atingiu suas metas. Ela foi muito além, superando todas as nossas melhores projeções. E o mais importante foi ver tantas classes da sociedade acreana misturadas, envolvidas, convivendo entre si sem nenhum tipo de constrangimento. Foi uma festa onde vimos ricos e pobres lado a lado”, afirma.

Espetáculo pacífico – Outra grande conquista conceitual para o movimento LGBT foi o andamento da Parada Gay sem casos de violência. Conforme Germano Marino, a PM e o Detran não registraram nenhuma ocorrência de tumulto, desordem ou confusão antes e durante toda festa (relacionado), tanto na parte de policiamento, quanto de trânsito.

“Foi um evento tranqüilo, com violência zero. Por isso, atraiu tantas pessoas de fora. Só de Rondônia foram 3 ônibus lotados de participantes, além daqueles que preferiram vir de avião. Também recebemos um grande público do interior do Estado”, completa ele.
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Emanuelle Araújo da banda Moinho

Culto no horário eleitoral

Por Dê, no blog DêJota

Publicado em 09/09/2010 às 12:37

Vi hoje um vídeo (abaixo) onde o Pastor Paschoal Piragine Jr, presidente da Primeira Igreja Batista de Curitiba, num de seus cultos, falou sobre as eleições 2010. Em sua fala, Paschoal diz que o Povo de Deus tem que ter cuidado em quem vai votar nessas eleições e para isso, diz que a Igreja tem que saber o que é iniquidade e a comparando-a ao pecado e dizendo que as pessoas em quem votamos é que vão votar nas casas legislativas pelo que ele chama de “institucionalização da iniquidade”.

Pois bem. Pra começar o Pr. Piragine está equivocado com o significado de iniquidade, que em sentido lato é a falta de equidade. Já equidade, segundo o Aurélio, é “Disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um; Conjunto de princípios imutáveis de justiça que induzem o juiz a um critério de moderação e de igualdade, ainda que em detrimento do direito objetivo; Sentimento de justiça avesso a um critério de julgamento ou tratamento rigoroso e estritamente legal; Igualdade, retidão, equanimidade.”

O Pr. Paschoal convoca o Povo de Deus a entrar junto com “as igrejas” no que chamou de “cruzada”. Ao pensar no que eram as Cruzadas, as tais “Guerras Santas”, onde muita gente morreu porque a Igreja Católica medieval combatia todas as pessoas que não rezavam pela sua cartilha – ou Bíblia, como queiram; minha pergunta mais inquieta é: por que as igrejas também não se juntaram para combater a pedofilia, que acontece cada vez mais dentro das próprias igrejas (evangélicas e católicas) e, ao contrário da homossexualidade, é considerada um desvio sexual pela Organização Mundial de Saúde – OMS? Aliás, a mesma igreja vem tentando desviar o foco do escândalo da pedofilia jogando a culpa na homossexualidade, ao atribuí-la a práticas homossexuais. Isso não só é mentira, como cada dia mais vem se mostrando um sofisma. Os casos de meninos abusados por padres e outras autoridades eclesiásticas são mais frequentemente publicizados que os de meninas. Alguém se aventura a tentar dizer o porquê? Sendo simplista, eu diria machismo, mas acredito que esse buraco vai muito além do baixo ventre…

Aliás, o machismo é uma prática que a própria igreja é definitivamente favorável. Vejamos. O Levítico, terceiro livro do Velho Testamento é um dos que condenam a homossexualidade, chamando-a de abominação, ordena também que o povo Cristão guarde o sábado; que não toque em pele de porco morto; admite a compra e venda de escravos; indica que as adúlteras sejam apedrejadas. Na mesma bíblia não há nenhuma revogação dessas “leis”, mas será que as igrejas têm apedrejado quem não as cumpre? Já no Novo Testamento, o apóstolo Paulo ordena que as mulheres estejam caladas na Igreja, que a mulher seja submissa ao marido, que use véu na igreja… será que nas denominações que integram esta “Cruzada” as mulheres observam essas proibições? Será que as que são pastoras, cantoras, diaconizas e bispas não estão desobedecendo a “Lei”? Pelo visto, para a Igreja, SOMENTE as prescrições sexuais na bíblia são intocáveis, irrevogáveis, inquestionáveis e inegociáveis.

Interessante ainda é ouvir o Pr. Paschoal Piragine Jr demonizar o PT (Partido dos Trabalhadores), porque é o único partido que indica que suas e seus parlamentares votem a favor de temas como a descriminalização do aborto e do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, sob pena de expulsão do Partido; me faz pensar até onde o horário eleitoral gratuito tem chegado. Não vou entrar no mérito da campanha, pois não é este o objetivo deste blog. Além de pensar na intolerância contra homossexuais e na forma que a igreja trata a mulher, penso ainda sobre a mutilação de algumas crianças, que sofrem a circuncisão obrigatória e fazem esse procedimento sem anestésico algum. Bem… acho que para a maioria das igrejas o nascituro é mais humano que a criança.

A moça do vídeo mostrado pelo Pastor em dado momento fala que o Povo de Deus tem que “tirar a venda dos olhos”. A Bíblia também diz que o Povo de Deus não deve julgar outras pessoas e que é necessário primeiro tirar a trave do olho antes de falar do cisco no olho do outro. Isso está nos evangelhos:

(São Mateus 7,1-5)

Não julgueis, para que não sejais julgados.

Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós Por que observas o cisco no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no teu próprio olho?

Ou, como podes dizer ao teu irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu mesmo tens uma trave no teu?

Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu próprio olho, e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão.

(São Lucas 6,41-42)

Por que observas o cisco que está no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho?

Como podes dizer a teu irmão: ‘Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando não percebes a trave que está no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave que está no teu olho e, então, enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão.

Eu só posso pensar que, palavra contra palavra, então viva a Constituição Federal que diz que todas as pessoas são iguais perante a lei. Viva o princípio da isonomia! Viva o estado laico, que é o Estado de Direito que rege o Brasil (ou ao menos deveria) desde a Proclamação da República, nos idos de 1889, o que denota o quanto esse pensamento consegue ser ainda mais retrógrado no sentido mais literal da palavra, significando uma nova “ordem inquisitória”, que é a de perseguir todas e todos que não seguem a mesma sacrossanta bíblia.

Para entender direito o caso Calcanhoto de Moraes

Adriana Calcanhoto encontra sua cara metade, Suzana de Moraes, E SE… UNE CIVILMENTE, porque CASAMENTO não é um direito para LGBT no Brasil

Do blog DIREITOS FUNDAMENTAIS LGBT, por Carlos Alexandre Lima

A cantora Adriana Calcanhoto está oficialmente junto com a cineasta Suzana de Moraes, filha do músico Vinicius de Moraes. Segundo o jornal “O Dia” desta quarta-feira (8), Adriana e Suzana já moravam sob o mesmo teto, mas agora declararam a união civil na justiça, já que o casamento entre homossexuais não é reconhecido.

Para celebrar o evento, as duas fizeram uma festa para amigos e familiares na segunda-feira (6).

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Duas mulheres de sucesso profissional, famosas, bonitas, inteligentes e sensíveis se encontraram há um bom tempo (Suzana já dirigiu Calcanhoto há muitos anos atrás) e se uniram. Formaram um indiscutível casal lindo, mas diferente dos demais casais, não puderem exercer o direito ao casamento.

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A notícia extraída da mídia faz menção à declaração da união na justiça, sugerindo que foi ajuizada uma ação de declaração de união estável, entretanto, não é pouco comum o equívoco da imprensa, considerando o registro em cartório da união civil como se fosse uma ação declaratória da união estável em juízo. Os efeitos da união civil e da união estável são absolutamente diferentes.

No entanto, considerando que a matéria jornalista está absolutamente correta e Adriana Calcanhoto e Suzana de Moraes realmente ingressaram na justiça para ver declarada a ‘união estável’, garantindo bem mais direitos que a ‘união civil’ somente registrado em cartório, cumpre esclarecer a todos que, ainda assim, entre a união estável e o casamento civil possui um verdadeiro abismo que os distanciam, em direitos e reconhecimentos legais.

Então, faz diferença, união estável declarada e reconhecida na justiça para casamento civil? Pode não fazer para o amor que as uniu, mas para os direitos delas, enquanto casal, faz sim, muita diferença.

Acontece que os efeitos jurídicos do casamento são diferentes daqueles previstos para as uniões informais. Há vários indicadores na lei civil de que união estável e casamento não se equivalem.

A primeira delas, afeta a dignidade da pessoa e atinge moralmente a parceria de forma moral: a união estável não confere estado civil de “casada”, obrigando que nos documentos públicos as companheiras se declarem “solteiras”. Besteira? Não considero. Moralmente é uma repugnante afronta, que nos golpeia na dignidade pessoal.

Mas outras distinções não se restringem a esfera moral. Enquanto o casamento possui um regime de bens a ser escolhido pelas companheiras, na união estável aplicam-se as regras, até onde couber, do regime da comunhão parcial de bens.

Outra sensível diferença se mostra no campo da prova da existência da união: enquanto o casamento se materializa numa certidão, capaz de provar por si só a existência do vínculo, resta àqueles que constituíram união estável, muitas vezes, provar através da declaração, por sentença, a sua condição de companheiro, após a morte do outro.

As diferenças não cessam por aqui.

Pelo vigente Código Civil, a maior desproporção quanto aos efeitos entre casamento e união estável reside no direito sucessório.

Veja-se primeiramente as disposições quanto aos direitos sucessórios no casamento: excluindo-se o regime da separação bens obrigatória, em todos os demais, inclusive no regime da separação absoluta de bens o cônjuge será herdeiro quanto aos bens que compõem o patrimônio particular do cônjuge falecido.

Entenda-se: bens particulares são aqueles adquiridos antes do casamento e supervenientes por doação ou herança. Além de ser herdeiro legal, o cônjuge é também herdeiro necessário (aquele a quem a lei assegura uma cota de bens, não podendo ser preterido na transmissão da herança), concorrendo com os descendentes e ascendentes do cônjuge falecido, figurando nas três classes sucessórias de maior relevância.

Conta, ainda, o cônjuge com o direito real de habitação em caráter vitalício, quanto ao imóvel pertencente ao falecido cônjuge, assegurando-lhe permanência no imóvel em que residia o casal (não mais restrito ao estado de viuvez, mas enquanto viver, independentemente de constituir outra união).

Nada disto ocorre na união estável. O diploma civil determina que o companheiro participe apenas quanto aos bens adquiridos a título oneroso durante a convivência. É o que determina a letra da lei.

Seria uma espécie de meação, já que são aplicadas as regras do regime da comunhão parcial de bens: o que significa dizer que terá metade do patrimônio adquirido durante a união estável. Em relação à esfera de bens particulares, o companheiro não terá direito, ficando apenas para descendentes do falecido ou, na ausência destes, para seus ascendentes. É o entendimento de grande parte da doutrina.

Quem constituiu uma união estável, prioriza a relação informal, decide por uma união cujos efeitos não geram direitos sucessórios ao companheiro quanto à esfera de bens particulares, segundo dicção do art. 1790 do vigente código.

Contrair casamento e constituir união estável são situações diferentes do ponto de vista da própria natureza e requisitos das espécies de união e, principalmente, no que tange à produção de efeitos jurídicos post mortem.

A lei oferece dois institutos (casamento e união estável) com efeitos distintos exatamente para que as pessoas elejam o que melhor lhes convêm. Mas ambos no Brasil, discriminatoriamente, não são destinados e nem possíveis para os homossexuais, que devem se contentar com a “união civil registrada em cartório”. Como todos sabem, o Governador Sergio Cabral do Rio de Janeiro e a Procuradoria Geral da República ingressaram com ações judiciais no Supremo Tribunal Federal para verem reconhecido na justiça, ao menos, o direito de casais homossexuais a ‘união estável’ (ainda sem expresso reconhecimento legal na lei)

No caso das meninas, parece que obtiveram direito a esta declaração da união estável na justiça. Apenas, MENOS PIOR!

A união civil confere menos direitos que a união estável que, por sua vez, possui efeitos e direitos bem menores que o casamento civil.

No Brasil, apenas heterossexuais possuem o direito de escolher se desejam optar pela união estável ou o casamento. Significa dizer, a vontade dos heterossexuais é respeitada, eles podem escolher se querem atribuir ao companheiro os direitos que a lei confere ao cônjuge, contraindo núpcias e conferindo todos os efeitos sociais e sucessórios inerentes à condição de cônjuge, desde que o queiram. Ou decidir pela união estável, com seus efeitos legais, próprios desse instituto.

Casais homossexuais, não podem se casar, e se quiserem a união estável, tem que LUTAR na justiça para TENTAR verem reconhecidas sua união na justiça e concederem alguns direitos aos seus respectivos companheiros.

Fontes:

http://www.abril.com.br/entretenimento/noticias/adriana-calcanhotto-oficializa-uniao-filha-vinicius-moraes-594473.shtml

http://www.pgj.ce.gov.br

Adriana Calcanhoto oficializa união com Susana de Moraes

Divirta-se – Portal UAI // Gil Rodrigues/Esp. Aqui BH/D.A Press

Adriana Calcanhoto oficializou sua relação com a cineasta Suzana de Moraes, filha de Vinícius de Moraes. De acordo com informações do jornal O Dia, a cantora declarou à Justiça sua união civil com a companheira.

Ainda segundo a publicação, Adriana e Suzana, que já dividiam o mesmo teto, comemoraram a ocasião com uma festa realizada na casa onde moram, nesta segunda-feira.

O casamento homessexual ainda não é previsto em lei no Brasil. Já a união estável entre pessoas do mesmo sexo é reconhecida pela Justiça, ainda que não garanta os mesmos direitos do casamento.

O casamento civil é direito

Carlos Tufvesson
Estilista

[O Dia, 08/09/2010] Rio – Em 15 de julho, o Senado da Argentina aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O que isso significa? Que esses cidadãos têm, a partir daquela data, os mesmos direitos que qualquer cidadão argentino, direitos e deveres que um deputado, quando faz uma lei, entende que dois cidadãos que dividam sua vida em comum possuem — de acordo com uma constituição que diz que a lei é igual para todos.

Isso não mudará as leis da Igreja Católica ou evangélica ou muçulmana ou quiçá dos terreiros de umbanda daquele país. Nenhuma religião será obrigada a casar ninguém, pois a lei se refere ao Código Civil Argentino e, como disse no artigo publicado na semana passada, cada religião possui suas próprias leis e regras e ninguém mudá-las.

Significa apenas, e nada além disso, que direitos tais como declarar imposto de renda em comum, direitos a herança, partilha de bens, somar empréstimo para aquisição de casa própria, entre outros 78 que são direitos constitucionais de qualquer cidadão brasileiro, nós, cidadãos homossexuais deste País, teríamos também, corrigindo um flagrante descumprimento constitucional.

Por isso, tomo por ignorância e manipulação de massas essa caça às bruxas que existe contra essa lei por parte de religiosos, já que ela nada tem a ver com religião. Isso aconteceu da mesma maneira com a lei do divórcio, igualmente combatida na época de sua aprovação e discussão em sociedade.

Discursos clamorosos como o da “extinção da família” e “lei do Anti-Cristo” eram ouvidos tal e qual. O que vemos hoje? Vale na justiça dos homens, mas as igrejas continuam não aceitando. E assim deve ser.

Estado e religião quando se misturam não governam para todos os cidadãos. Isso não esquecendo que, desde as cruzadas, é a maior causa das guerras em nosso planeta.

Na rede de Dilma…

É… tinha uma moça lá, sim, filmando e pedindo apoio. Ela me perguntou se eu tinha um recado pra Dilma, e eu tinha. “Dilma, rifar os direitos LGBT em troca do apoio dos fundamentalistas religiosos não é legal. Presta atenção, que estamos numa república, portanto um Estado laico”. Cadê, entrou? Não, né… agora, eu fazendo a linha animadora de torcida no meio da avenida, de saia vermelha sem intenção de fazer campanha petista, ah isso ela pôs…

É bom deixar registrado que no mesmo dia da nossa caminhada, da nossa visibilidade, 29 de agosto, teve uma farofada de BomDilma na praia de Copacabana, e que por causa disso, não nos deram autorização para entrar com o trio na Av. Atlântica, para evitar tumultuos… Só que nós pedimos a autorização antes dela. Blah pra Dilma.

E além do mais, DUVI-dê-ó-DÓ que a gente vai ter alguma vantagem ComDilma…

Será que no Japão todo mundo é homossexual? (ou SuceSSo, ProgreSSo, garfo, faca e “hashis”)

Acabei de ver um vídeo muito lindo que a Dànskï postou no Facebook a noite passada. É um filme publicitário da gigante malaia de óleo e gás, Petronas, produzido em 2007 e mega premiado até hoje. Foi “requentado” no Brasil no último dia 13 de agosto, data que nos últimos anos começa a ser explorada pelo comércio como o “dia dos solteiros” em terras brasilis.

O vídeo mostra um garoto muito meigo e carinhoso sendo perguntado por uma mulher (em inglês) se ele gosta de alguém, se tem namorada, essas coisas – ao que ele responde positivamente, e a mulher vai fazendo a investigação. Ele revela que gosta de uma colega de classe, uma menina de quem ele não pode gostar, mas gosta porque usa brincos e rabo-de-cavalo. Perguntado se ela sabe dessa, digamos, admiração, ele responde que não, que aliás ele não gostaria que o mundo inteiro soubesse. Por que não? “Por que o mundo inteiro iria rir de mim, já que ela não gosta de mim”. Logo em seguida a menina aparece em cena dizendo que o melhor amigo dela é ele, e quando perguntam se ela tem namorado ela diz que sim, e que é justamente ele. Ele, muito tímido, agarra a mão dela e os dois se afastam da câmera pelo corredor da escola.

Fofo. Simplesmente lindo. Poderia parar por aí, mas o marketing institucional jogou o seguinte mote: “Nossas crianças não distinguem cores. Devemos tirar isso delas?”. Veja.

Genial, ahn?
(Atualização do post em 7/9/10: leia abaixo o comentário de Sonia Corrêa para entender melhor o contexto desse lindo casal.)

Como minha onda não é vender petróleo, mas tentar chegar a uma situação social em que haja justiça de gênero, me lembrei de um outro vídeo, uma outra ideia igualmente genial, mas que não chegou a ser veiculada na grande mídia. Talvez porque não venda petróleo, talvez porque seja no Brasil, talvezes… O filme foi produzido por uma agência de publicidade, segundo ouvi dizer foi um trabalho voluntário para uma campanha do Governo do Estado do Rio de Janeiro pelo fim da discriminação por orientação (homo)sexual. Mas no fim das contas, aparece no canto direito a logo do Grupo Arco-Íris… bem, tem gente que diz que é a mesma coisa, mas deixa pra lá que isso é coisa que eu nunca entendi em terras cariocas.

O mote do filme era que todas as letras do alfabeto precisam de outras para formar palavras, e que, em certos casos, a união de duas iguais é necessária para alcançar certos resultados. Por exemplo: neceSSária, essa palavra não seria poSSível no idioma brasileiro se duas letras iguais não estiveSSem juntas. Assim como também não haveria o progreSSo, a cOOperação, e a comprEEnsão.

Não é?

Na semana passada estive no SiSeJuFe para um evento de homenagem à visibilidade lésbica, organizado pela companheira ativista Virgínia Figueiredo. Avalio que esse evento ficou no mesmo nível que a II Caminhada de Lésbicas e Bissexuais do Rio de Janeiro, em termos de alcançar a visibilidade no sentido de dialogar com a sociedade. Há mais ou menos um ano comecei a questionar o sentido de lutar por “visibilidade”. Cheguei a uma conclusão (pelo menos temporária): queremos visibilidade para conquistar o direito a sermos invisíveis, ou seja, para não sermos apontadas ou discriminadas pelo fato de nos relacionarmos com essa ou aquela pessoa. No caso das lésbicas, por gostarmos de mulheres e não estarmos a serviço do prazer dos homens. Ih… tem gente que não faz ideia de como isso é “grave” na nossa sociedade…

Naquela noite, além de algumas de nós, lésbicas (melhor, Marian*?), havia uma meia dúzia de umas dez pessoas do sindicato ouvindo o que tínhamos a dizer. Eu não estava na mesa, mas a própria Virgínia inscreveu meu nome, antes de eu manifestar o desejo, para falar logo depois que as companheiras meseiras terminassem suas exposições. Ou seja, ela encabeçou a lista de inscrições com meu nome, o que eu acatei de bom grado, queria mesmo comentar trechos das falas das minhas queridas companheiras que naquela noite ocupavam os lugares de destaque daquele auditório: salve, salve Paula Theodoro, Marcelle Esteves e Virgínia Figueiredo!

Uma das coisas era o caso das lésbicas “femme”, ou as “femininas”, aquelas que não dão muita “pinta” de sapas, não são masculinizadas, não usam cabelo curto, bermudões, bonés, não fazem o tipo caminhoneira, fancha, butch, vocês já entenderam. As “pintosas”, diziam as companheiras, não têm como passar desapercebidas no emprego, na escola e outros espaços da vida cotidiana; são facilmente identificadas e na maioria dos casos discriminadas. As “femininas”, diziam, passam desapercebidas, a não ser que demonstrem alguma atitude que não condiga com o papel feminino, que falem grosso, que não aceitem uma ou outra situação em que se espera um comportamento passivo das mulheres. Bem… acho que não precisa ser lésbica para isso acontecer.

Mas (o)usei o microfone para lembrar que mesmo as “femme” não passam desapercebidas coisíssima nenhuma. Um dos lugares-comum da produção pornô para homens é justamente o sexo “lésbico”, com duplas de gostosas de unhas gigantescas exibindo um sexo plástico para o bel-prazer dos rapazes. E outro muito recorrente é o comentário inconveniente dos caras quando veem duas meninas bonitas (ou seja, nos padrões de beleza da globo, da marie claire, da nova, da capricho, da playboy…) juntas, de mãos dadas, abraçadas ou se beijando: “aí, gostosas, deixa eu entrar no meio de vocês duas…”. Ou seja, só passam desapercebidas se estiverem bem invisíveis dentro do armário. Mas aí também não precisa ser lésbica. Soltei a seguinte cena lá no auditório do SISEJUFE: alguém olha duas mocinhas juntas e diz “pôxa, duas mulheres bonitas, vistosas, estão ficando uma com a outra, como assim!? Deve ter alguma coisa errada aí, né?” No auditório, as cabecinhas dos poucos homens presentes balançavam concordanco com a parte “deve ter alguma coisa errada aí, né?”. Quebrei com “não, nada de errado, é assim mesmo, tem gente que gosta de homem, tem gente que não gosta”.

Minha amiga e também ativista lésbica Heliana Hemetério diz uma coisa com que eu concordo profundamente: em um mundo criado por homens e para servir aos homens, o simples fato de uma mulher não precisar do falo para ter prazer dá um nó na cabeça de quem nunca pensou, digamos, “fora da caixa”, a partir de uma perspectiva menos óbvia do que aquela imposta pelo modelo católico-cristão-heterorientado-conservador – não necessariamente nessa ordem… Ela vai além e lembra que os gays servem ao desejo masculino; as travestis e mulheres transexuais, grande parte das vezes, servem ao desejo masculino; as pessoas bissexuais, em algum momento, também; as lésbicas não.

De minha parte, considero como “masculino”, nesse caso, não apenas os homens biológicos, mas todas as pessoas que se utilizam de algum “poder” para submeter outras a todo e qualquer tipo de discriminação negativa. Essa semana, em meu perfil no Facebook, citei um trecho do livro Nações Unidas, População e Gênero: homens em perspectiva, tese de doutorado de Margareth Arilha, publicado pela editora InHouse no mês passado. Diz o seguinte “(…) o gênero é uma das primeiras maneiras de dar significado às relações de poder, ou (…) gênero é um primeiro campo por meio do qual o poder é articulado.” Voltemos ao primeiro vídeo que mostrei nesse post. Pensemos na “guerra ao terror” dos EUA no Iraque, nos conflitos entre Israel e o povo palestino, nos impedimentos de relacionamento entre castas na Índia, no rechaço da família da moça que apresenta um namorado “bugre” à família, nos enormes muros sociais que isolam a classe média da favela – Romeu e Julieta, se quiserem – nos jogadores de futebol que, negros e pobres, viram ricaços negros que pegam loiras (na porrada, inclusive), a lésbica fancha que desce o braço na companheira porque chegou em casa e a comida não estava pronta… e assim por diante. Tudo são jogos de poder onde um sujeito quer sempre mostrar a superioridade sobre o outro.

Mas tenho que dar o braço a torcer, deixar de discurso complexo e reconhecer: as lésbicas somos marginalizadas, violentadas e mortas, em última análise, pelo fato de não servirmos ao modelo em que o homem tudo pode e a mulher está para servi-lo. Acho isso também. Discurso radical? Pode ser, mas é aí mesmo que mora o problema: na raiz da nossa sociedade.

Sociedade, aliás, que (a)fundada pelo bispado que para cá veio com o Sr. Cabral (eita nomezinho pra se repetir catastroficamente na nossa história, minhas deusas!!), depois de estabelecer que a família seria uma instituição coletiva para acumulação de bens, dessexualizar as crianças para que os corpos chegassem ilibados ao matrimônio, pois assim haveria a certeza de que os “rebentos” seriam legítimos espécimes da linhagem em questão, de modo a não dividir o capital acumulado com bastardos, hoje usa a metáfora do garfo-e-faca para desqualificar as relações amorosas/sexuais entre duas pessoas de mesmo sexo biológico.  Ai, ai, nem Jesus, no tempo dele, cometia uma gafe dessas, né…  Ora, já faz muito tempo que o sexo deixou de ser praticado somente para a reprodução, na maioria das culturas do mundo – isso esteve de moda na Idade Média, já está “demodê”! Já aprovamos a lei do divórcio, adotamos as pílulas de hormônio como método contraceptivo, o DIU é política pública, São Paulo já distribui a pílula do dia seguinte, camisinhas são distribuidas em postos de saúde pelo Estado, que também oferece cirurgias de readequação genital para transexais. E ainda tem gente dizendo por aí que mulher com mulher, homem com homem não pode porque ninguém come com dois garfos ou duas facas. Bizarro, né? Falta pensar só um pouquinho “fora da caixa” e deixar o pensamento passear um pouquinho mais pro leste. Por exemplo, será que no Japão, onde a comida se come com dois pauzinhos iguais, todo mundo é homossexual?**

Eu diria que é melhor começar a mudar o discurso. Nossas crianças, por aqui também, a cada dia mais conectadas, já entendem que esse discurso não cola. E afinal, se elas já não distinguem cores, devemos tirar isso delas? Acho que não.

Olha de novo: não existem brancos, não existem amarelos, não existem negros: somos todos arco-íris.

Ulisses Tavares

Fica a dica.

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*A companhira Marian fez uma crítica ao post anterior, dizendo que “Acho que o verdadeiro preconceito e até violência serão derrubadas, o dia que troquemos o elas por nós.” Penso eu que faz sentido, sim, que talvez isso não resolva tudo, mas é uma parte muito importante da equação.  Acato a crítica.

** Capturei essa “sacada” da companheira Rosa Posa, do grupo Aireana de Assunção, Paraguai, em um de nossos encontros pelas américas. Gracias, Rosa!

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Jan querida,

Há uma coisa nesse video coisa que nem você nem niguem parece ter percebido bem no Brasil.

O menino é malaio e a menina é chinesa… Para nós, como ela e ele tem olhinhos rasgados, fica sendo “tudo chinês”, aliás é isso que diz o título da matéria.

Não é bem assim: na Malásia, as comunidades malaia, chinesa e indiana vivem vidas “separadas”. São tratadas de maneira muito diferente pelo estado que dá mais benefícios aos malaios, ou seja uma política de ação afirmativa de base étnico religiosa que entre outras coisas discrimina e estigmatiza a comunidade indiana (há vários líderes da comunidade indiana que lutam contra esse estado de coisa presos por razões políticas).

Ou seja, na Malásia implementa-se, de fato, desde a idependência nos anos 1960, o tal “governo das diferenças” essencialistas de que fala Franklin Gil no texto apresentado no Diálogo SPW Latino Americano. É isso que torna o vídeo tão contudente. As duas crianças que nele aparecem estão “impedidas” pelas regras do governo da diferença de se amarem e sobretudo de se casarem. Não que não existam casamentos inter-étnicos, mas são raros e socialmente condenados, assim como também acontece na Índia no caso de casamentos entre castas e pessoas de religiões diferentes (hindus com mulçumanas, mulçumanas com cristãos, etc). Vale lembrar que as propostas de tratamento diferenciados de minorias tampouco está aussente no debate brasileiro, inclusive do debate sobre política sexual.

Finalmente, mas não menos importante, é brutalmente irônico que esse lindo spot de TV – que questiona a lógica de diferenciação social e política produzida por um estado nacional – seja também propaganda de uma empresa petroleira. No mundo inteiro, as empresas petroleiras infringem demandas justas de direitos que se constroem com base em percepções diferenciadas em relação ao significado dos recursos naturais, em nome do lucro. Basta buscar no google informação sobre o que se passa no delta no Níger, ou melhor ainda sobre um protesto recente dos Maoris contra um acordo assinado entre o governo da Nova Zelândia e a Petrobrás para prospecção de petróleo em áreas que são por eles consioderadas seus territórios ancestrais.

Vivemos num mundo muito complicado!

Sonia

(se quiser pode postar esse comentário)

Por e-mail, 7/9/2010.

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