@ Lima, Peru

Oi gentes! Faz um tempããããão que não venho por aqui. Mas tenho umas coisinhas pra compartilhar com quem vier me visitar: minhas paixões peruanas! De maneira que este post, diferente da maioria dos demais aqui, não é uma manifestação ativista.

Estou em Lima, capital do Peru, um dos nossos vizinhos. Faz fronteira com o Acre – o Acre, sim, aquele estado brasileiro que muita gente supõe lenda, não existir, ou ser terra sem lei, faroeste etc. Minha família materna vem do Acre, e o que lhes digo sobre isso é: visitem, e não vão querer voltar, especialmente pela gente, pela comida, pela arte, pelo bem-estar de lá.

Bem, mas o post é sobre Lima.

Essa é a terceira vez que venho a Lima, em viagens a trabalho. Sempre venho com os tostões e os dias contados, e por isso nunca fui visitar Machu Picchu, Cuzco, Arequipa… A primeira vez que vim, tive a oportunidade de ter um amigo disponível para me mostrar a cidade à noite, de uma segunda-feira até o sábado seguinte.  Além dele, meu querido Boris, amigas e amigos de trabalho que estavam na mesma reunião também me levaram a conhecer lugarzinhos deliciosos entre os bairros de Miraflores, San Isidro e Barranco. À ocasião, chamei a capital peruana de “Lima, la fea”, porque era feia, mesmo… pela poluição do ar, junto com a neblina que cobria a cidade, além da sujeira e buracos das ruas, tantos automóveis velhos e os ônibus… “ni hablar”! Kombis e velhas jardineiras faziam (e ainda fazem) o transporte coletivo da gente limeña. Dessa vez, fiquei ainda mais encantada pela cidade, porque além do bem-viver que a cidade oferece, está bem mais cuidada e limpa.

Aleja, uma amiga peruana que conheci junto com a mexicana Brisa, quando fui a um workshop em Egmond aan Zee, na Holanda, foi minha anfitriã para o fim de semana que sucedia a tal reunião que vim participar aqui em Lima, nos idos de 2006. Me levou para almoçar na casa de seus pais, que tem um pátio interno incrível, com uma mesa enoooorme, plantas, esculturas, objetos de arte, tudo ali no meio da casa – porque em Lima não chove! Também me fez conhecer o Museu do Povo Livre (Museo Nacional de Arqueología, Antropología e História del Peru, Plaza Bolívar, Lima), que funciona na casa onde morou Simón Bolívar. É realmente impressionante ver o que o povo que aqui já vivia e fazia, milhares de anos antes da chegada dos meliantes espanhóis mandados por El Rey a povoar o Novo Mundo, tinha desenvolvido em termos de arte, cerâmica, armas, tecnologia, urbanismo e inclusive nas práticas médicas: operavam crânios!!! Até tenho umas fotos, mas estão em algum dos miles backups de todos os tempos… Chegando em casa vou procurar.

Mas minha amiga Aleja, então, saiu comigo a me mostrar a cidade, no fim de semana, durante o dia. Passeamos pelo bairro boêmio de Barranco, e caminhamos enquanto ela me contava uma parte da história da América Latina que na escola nunca me disseram. Houve aqui uma guerra, chamada Guerra do Pacífico, que era também um tema de território, fronteiras, essas coisas, entre Chile (de um lado) e Peru e Bolívia, aliados. Bem, no Peru, do que me recordo, é que em um momento dessa guerra, os soldados chilenos entraram em Lima e puseram fogo em uma boa parte da cidade – inclusive o lindo bairro de Barranco, e a Ponte dos Suspiros. Depois também li sobre esse episódio no romance de Isabel Allende, “Retrato em Sépia“.

O bairro, reconstruído e agora sob risco zero de destruição por guerra, é uma delícia! Fazendo uma comparação com o Rio de Janeiro, seria a zona similar à Lapa. Só que beeeeeeem bonitinho, limpo, cuidado… Querem dar uma volta? Vejam os vídeos a seguir:

É apaixonante mesmo. E foi aqui que provei as melhores comidas da PARADISÍACA comida peruana! Hummmm. Yammmm!! Tanto da outra vez quanto desta. Tem dois pratos que são inacreditavelmente gostosos, para mim: o cebiche e a causa (se pronunciam “cevitche” e “cáuça”). O primeiro é um prato feito com frutos do mar frescos, cozidos (ou marinados) no suco de limão com cebola e pimentas. Pode vir também com outros molhos, mais ou menos picantes, ou, no caso do polvo, molho de olivas negras, que é um manjar! E a causa é uma composição que leva uma massa de batatas amarelas, molho de pimenta amarela, algumas outras cositas, e em cima (ou como recheio, entre duas camadas de massa de batata), uma camada de carne preparada: frango, peixe, langostin, camarão, carangueijo… simplesmente genial!! Nesta foto, lhes ofereço umas “causitas de pulpo de cangrejo”, que é a carne (polpa) extraída dos carangueijo, preparada, sobre as bolinhas de batata.

Não me reparem as olheiras e a cara de cansada… Fiz todo esse roteiro gastro-boêmio no sábado, o dia que cheguei, tendo dormido não mais que cinco horas, sendo as primeiras quatro no avião e a quinta entre o almoço e o começo da noite, antes de sair para encontrar a galera.

O roteiro foi o seguinte: 3 e meia da matina, táxi para o Galeão. O vôo saiu pouco depois das seis horas da manhã, chegando em Lima às 9h50, hora local. Do aeroporto, fui com Boris direto para a “padaria/lanchonete” T’anta, chef’iado pelo Gastón, “creo”, um chef bem famoso por aqui e ao redor do mundo. Comi um típico café-da-manhã peruano: pão, suco de laranja, costeleta de porco frita, “tamal”, que é uma pamonha como a nossa, mas feita de outro tipo de milho (aqui tem de vários tamanhos, cores e sabores – incrível!) e também mais temperado, bastante cebola e umas rodelinhas de “camote” frito. Camote é uma batata doce que tem cor e textura de abóbora. Mas é batata.

Depois fui trocar dinheiro e logo à casa de Alejandra, que me convidou a almoçar o tradicional e indispensável cebiche, ali perto, em Barranco mesmo. Depois do almoço, café e sobremesa no café Las Sillas, que é tão histórico para Barranco como o Beirute para Brasília. Nada mais poderia ser depois disso tudo que uma boa soneca em casa (aquela uma horinha adicional antes de engatar de novo pela orgia gastronômica peruana).

Saí a reencontrar o Boris no “El Juanito”, botecão tradicional de gente torta e alternativa limeña. A nós, juntaram-se a Tate, com seu amigo Danilo e as amigas Inês e Betita (acho que assim se chamava).

Dali, fomos para um bar chamado Santos, que fica na boca da Ponte dos Suspiros, e é bem burguês – mas bem bonito e agradável, cheio de gente bonita. Sem fotos, sorry. E depois, a comer no Javier, que já tem foto lá em cima. Mas o caminho não é qualquer coisa. É um happening. Vejam.

Muito bem. Susana, outra amiga, veio me encontrar, convicta de que sairíamos “a bailar”, mas não dei conta. Conversei mais um pouquinho com ela, no Javier mesmo, quase congelando com o vento que vem diretamente do Pacífico, e ela me deixou de volta na casa de Aleja, para dormir neste ambiente aqui, ó:

No domingo, depois de tomar o café da manhã com Alejandra e uma vizinha, regadas a café com leite e pão quentinho com manteiga (hummmm!) e muita conversa boa, fui até o mercado Indio compar um casaco pra segurar o frio do outono limeño, e vim para o resort onde começaria o curso que estou participando. E desse… depois compartilho detalhes.

Ah… quase me esquecia. Sim, em Lima não chove nunca, e isso marca muito a arquitetura. As casas não têm telhado! A grande maioria tem só a laje, e algumas utilizam esse espaço como terraços. E quando se sai um pouco da parte mais central-burguesa da cidade, algo ainda mais marcante acontece: muitas casas sequer são rebocadas e pintadas!

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2 Respostas to “@ Lima, Peru”

  1. Says:

    …ô, porque minhas asas não levantam vôo…

  2. TARCISIO JACOB GUBIANI Says:

    Olá,
    Ontem tivemos uma visita de um casal amigo (moramos em Porto Alegre – RS), e eles nos falaram maravilhas sobre o Peru, em especial Lima, dado que residiram aí, por algum tempo. Fiquei interessado, e acessei tuas informações. Valeu. Muitissimo interessantes.
    Abrs. e que Deus a abençoe.
    Tarcísio J. Gubiani


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