Três uvas, duas loucas

Passei no mercado antes do avião pousar. No vinhedo, tive dúvida sobre que uva combinaria melhor com o meu menu: folhinhas verdes, cogumelos e outras proteínas.  Moscatéis lutridos insistiram por alguns segundos em ocupar o meu campo visual, ávidos por me acompanharem até a casa. Mas não eram apetecíveis para minha companhia.

Entre a sempre bem-vinda Chardonnay e o úmido prosecco, convidei pra casa as três deliciosas uvas, que juntas sabem bem como acompanhar harmonicamente, nas noites, o intenso e raro prazer. Eram a Cabernet, a Sauvignon e a Merlot. A sempre confortável maciez no leito da língua, combinada com uma leve acidez no final, me têm por costume embalar suaves prosas e versos.

Avião no pátio, bagagem desembarcada. Uma mulher substantiva e predicada. A mala aberta no mangue do quarto e as uvas bailando pelos lábios de duas loucas. Os corpos já iam se entregando ao cansaço do do trabalho sem intervalo quando se deram conta da agradável companhia. O tinto então preencheu não só a boca e o paladar. Visão e tato vieram pra festa, trazendo o cheiro guache das tintas.

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