.L.E.S.B.I.F.E.S.T.!.!.!.

Meu número pro Concurso de Drag King já está pronto!! A fantasia também! A oficineira de foto confirmou! Os filmes já estão reservados! O ‘L QUIZZ’ também já está todo prontinho, e já tem até mestre de cena pra apresentar!! uhuuuuuuu! VAI BOMBAAAAAAAAAAAAAR!!!!

VAI PERDER??

Prazeres Dissidentes

PrazeresDissidentesConvite

Dia de amar seu corpo!!

Pesquei pelo Twitter a iniciativa do “Love Your Body Day”, ou “Dia de Amar seu Corpo”.  O tweet dava link para o blog Duplamente Venusiana, que explica os comos e porquês dessa blogagem coletiva. Que fala assim, ó:

O Duplamente Venusiana quer que a gente consiga participar, mesmo que assim de sopetão, das atividades do Love Your Body Day – como vimos um pouco aqui. A proposta?
Uma blogagem coletiva sobre a beleza, a beleza de verdade, o amor ao próprio corpo, as distorções midiáticas, ou o que cada uma (ou um) considerarem que é adequado para este dia.

Dia de Amar Seu Corpo
Adorei! Não tenho muitas aqui no computador do trabalho, onde estou agora, mas não quero deixar de me juntar à iniciativa. Assim… super aderi!! Voilà!

#lybd

Para um roxo dia de sol de fevereiro

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Este vazio de amor todos os dias: a cabeça pesada ao meio-dia, a boca amarga, um cheiro de sono e solidão nos cabelos, uma xícara de café bem forte espantando os arcanos da madrugada, e muitos cigarros, as roupas, o espelho, os colares, as pulseiras. Procuro e não acho. Mas saio para a rua todo de roxo, a barriga de fora.

O sol bate forte na cabeça. O sol bate forte e reflete na calçada e dissolve o corpo em gotas pegajosas escorrendo nojentas e brilhantes pelos braços e pelas pernas por baixo do roxo até cair sobre o asfalto formando pequenas poças que logo se evaporam subindo pelos raios do sol cor de cenoura de fevereiro para novamente descer do alto despertando o suor roxo adormecido no meu corpo.

E na esquina riem. Eu não ligo, mas riem e falam baixinho entre si, homens dispostos na calçada com as camisas abertas entre as verduras da tenda da esquina, os homens de pelos aparecendo pelas aberturas da camisa cochicham entre si e riem. Mas eu piso firme e ergo a cabeça e dentro do meu roxo caminho só-rindo entre as verduras e os cochichos, e ninguém entende: mas silenciam e principiam a rir baixo, apenas para eles, e não têm coragem de dizer nada. Eu passo por seu silêncio irônico e perplexo, a minha bolsa oscila, é como se o sol coroasse minha cabeça e ninguém soubesse ao certo se rir ou calar, de espanto, porque nunca naquela rua passou alguém coroado por um sol roxo de fevereiro.

Depois são os corredores e as escadas e o balcão claro do bar e os grupos de pessoas que não distingo umas das outras, mas vou sorrindo, sou um projétil orientado até certo ponto, depois dele, e é agora o depois dele vou furando o desconhecido, violentando o mistério, vou penetrando no incompreensível, e sorrio para o inesperado, o corpo ereto projetado, e alguém me faz uma saudação oriental na porta de entrada e eu sorrio ainda mais largo: é alguém semelhante a um cão são bernardo, falta apenas o barrilzinho de chocolate, desses abençoados que riem o tempo todo e o tempo todo cantam e dizem coisas e soltam notas musicais por entre os pelos espessos da barba e do cabelo grande.

E entro na sala e sinto que os olhares se debruçam sobre mim e cumprimento alguns e outros e não penso nada: gozo a glória deste momento e sei que brilho mesmo sem saber para onde vou. E tombo sobre a mesa e tento arranjar no rosto um ar compungido, qualquer coisa modesta e bucólica, à beira do perdão, um olhar no horizonte nas janelas do arquivo, para que me amem, para que se condoam, para que não se ofendam com meu sol de hoje.

Mas hoje. Hoje não. É impossível perdoar no meio destas máquinas histéricas e destas pessoas que tão pouco sabem de si destas calças desbotadas do feltro verde do jornal mural das vozes que passam misturando marchas de carnaval john lennon e carlos gardel é impossível sofrer entre os telefones que gritam e o suor que escorre e as laudas numeradas e as pilhas de jornais e livros e a porta que vezenquando abre libertando vanderléias comerciais e meninos de roupas coloridas e ar desvairado.

E hoje não. Que não me doa hoje o existir dos outros, que não me doa hoje pensar nessa coisa puída de todos os dias, que não me comovam os olhos alheios e a infinita pobreza dos gestos com que cada um tenta salvar o outro deste barco furado. Que eu mergulhe no roxo deste vazio de amor de hoje e sempre e suporte o sol das cinco horas posteriores, e posteriores, e posteriores ainda.

Caio Fernando Abreu

EUAMOMUITOTUDOISSO

Ai ai, viu gentem… Livin’ la vida loka é uma coisa boa demais de se fazer. Prestar atenção – bastante mesmo – nos pequenos detalhes e se lembrar deles depois como jóias, penas, contas coloridas, pedrinhas transparentes, pérolas, verdadeiros brilhantes encrustados no pano do cenário do passado que enfeitam o hoje. Que tal adotar a máxima “Ame e dê vexame, porque sem tesão não há solução”? E a outra “andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar”, e “vamos em frente, que atrás vem gente”!

E veio gente atrás mesmo! Eu sou a filha mais velha de um povo que decidiu reproduzir. Mesmo. São 4 irmãos e 4 irmãs depois de mim, e eu sou então testemunha ocular de toooooooooooda a história. OITO preciosidades, jóias raras, muito caras e lindas! No último fim de semana, Caetano, o irmão do meio – ou seja, aquele que concentrou tudo que todxs demais têm de bom, de lindo e de chato (hehehe) – apareceu em casa com um DVD, mandou a mãe parar tudo e todxs paramos para assistir. Será que o povo ficou emocionado? E a mãe, então… Vixe!…

Embelezamento e feminilidade: liberdade ou mutilação?

mulherescompintoOutro dia encontrei um texto interessante chamado “Você vendeu o feminismo, véio”, no blog “Mulheres com Pinto” e compartilhei na lista de um grupo de amigas minhas lá de Brasilia. Essa lista foi criada para ser o equivalente feminino da lista dos nossos amigos, exclusiva para meninos, muitos dos quais viraram maridos de algumas das amigas dessa lista, e outras amigas entraram na lista por terem se casado ou estarem namorando com alguns deles. Enfim… nem vou comentar a heteronormatividade desse processo.

Na sua maioria, as mensagens contêm piadas, dicas de segurança, uma ou outra coisa de moda e embelezamento… e às vezes vem uma discussão interessante, especialmente (por se tratar de uma lista só de mulheres) quando vem algo ligado ao binarismo de gênero e as desigualdades nas relações sociais motivadas por esse binarismo.

Pois bem. Postei lá o texto da C. June e a discussão rolou! Foi interessante ver a diversidade de ideias, os argumentos. Aí a Júlia mandou esse texto abaixo como contribuição ao debate. De precioso que achei, compartilho com vocês todas!

Boa leitura!

Embelezamento e feminilidade: liberdade ou mutilação?

Julia Chamusca Chagas – Bolsista do PET/PSI

“Para ficar desnudo é preciso estar ‘vestido’ pela magreza”
(Oliveira, 2004, p.105)

A partir do século XVIII, o pensamento binário resultante da influência cartesiana marcou profundamente a produção de conhecimento. O dualismo mente-corpo, essa tendência dicotomizante do pensamento, influenciou a forma como as pessoas se concebiam e levou a uma substituição do modelo de sexo único vigente por um modelo binário baseado em oposições radicais. Dessa forma, a mulher passou a ser definida em oposição direta ao homem e apenas a divisão dos seres humanos em dois sexos passou a ser aceita como natural (Laqueur, 2001).

Baseado nessa dicotomia, o conceito de gênero surge como a construção social e histórica dos sexos, apontando para a significação cultural sobre esses dois corpos sexuados possíveis. O sexo seria a faceta biológica, objetiva e imutável, enquanto o gênero algo adquirido, derivado de uma representação dos indivíduos e estabelecido pelas relações sociais (Louro, 1995). Laqueur, entretanto, aponta para o fato de que também o sexo é construído e contextual porque é afetado pelas práticas de gênero.

Homens e mulheres são ensinados desde criança que são diferentes e que devem se portar de maneiras marcadamente distintas. Cada um deve se submeter a determinadas exigências sociais que acabam por diferenciar as experiências de cada um. Estar em cima de um salto alto ou de um tênis confortável, por exemplo, influencia a forma como a pessoa anda, a sua postura e a maneira como ela se coloca perante as pessoas. Essas imposições são tão sutis e tão precoces que, freqüentemente, passam desapercebidas e acabam por ser naturalizadas. É como se as pessoas reproduzissem essas regras sem pensar sobre o seu significado. Elas são, entretanto, atos de gênero que influenciam a dicotomia sexual e contribuem para a concepção de sexo biológico. São práticas repetidas de diferenciação sexual que criam a ilusão de uma divisão natural dos sexos (Oliveira, 2004).

A mulher, em especial, passa diariamente por práticas de higiene e embelezamento que acentuam essas diferenças sexuais: remoção de pêlos, cuidados com a pele e cabelo, maquiagem… Aos poucos a sociedade nos mostra “quais roupas, corpo, alimentos, expressão facial, movimentos e comportamentos são requeridos” para que possamos nos encaixar na nossa categoria e parecermos normais (Oliveira, p.74). Dentro desse contexto, a beleza se tornou fundamental para a construção da feminilidade. Uma mulher que não segue as exigências, não cuida do seu corpo da forma como deveria, é repreendida e desmerecida por isso. Conseqüentemente, muitas mulheres se sentem imperfeitas, envergonhadas e escravas de todas essas normas sociais. Outras seguem as regras acriticamente e se sentem bem em relação a si próprias por serem valorizadas pela sociedade.

Cada vez mais cedo meninas são incentivadas a fazer dietas desnecessárias, proliferam-se sites de internet que propõem estilos de vida anoréxicos e mulheres entram em depressão porque não aceitam seus corpos. O controle sobre o corpo feminino está disseminado, não necessita de armas para a sua imposição. Existe uma vigilância generalizada, pronta a apontar qualquer deslize quanto às regras, qualquer “pneuzinho” ou flacidez. Em busca da normatização, as mulheres vivem em dietas permanentes, malhação, cirurgias estéticas. Toda essa preocupação leva a extremos como anorexia, bulimia, e mutilações por cirurgias plásticas.

Em uma análise sobre o “Mito da beleza”, Wolf (1992) afirma que, após todas as conquistas da mulher nas últimas décadas, parece que quanto mais obstáculos são vencidos, mais rígidas e cruéis são as normas de beleza impostas. Quanto mais espaços sociais são conquistados pela luta pela igualdade de direitos, outros tantos são perdidos pelo sentimento de inadequação e vergonha. A liberdade pela qual tanto se lutou é relativizada pela imposição do poder sobre os corpos.

É curioso que uma geração depois das lutas feministas, as mulheres aceitem morrer de fome ou remover uma costela para afinar seus corpos. Toda a luta pela liberação sexual trouxe uma nova forma de controle, sutil e disseminada, que perpetua a dominação sobre os corpos femininos. “Como resposta à revolta do corpo, encontramos um novo investimento que não tem mais a forma de controle-repressão, mas de controle-estimulação: ‘Fique nu… mas seja magro, bonito, bronzeado!” (Foucault, 1985, p.82). A mulher de hoje é livre para mostrar o seu corpo à vontade – desde que ele esteja moldado aos padrões de beleza como magreza, ausência de flacidez, de celulites…

O embelezamento tem uma função muito importante dentro da dicotomia sexual: a de aprofundar cada vez mais a diferenciação entre esses dois sexos. A mulher considerada feia é aquela que apresenta características consideradas masculinas como barba, corpo largo, traços faciais menos delicados. A dicotomia sexual traz uma série de normas para os corpos masculinos e femininos que têm por conseqüência a criação do anormal e a discriminação em relação a ele. Os padrões de beleza são cada dia mais rígidos e violentos e, por serem naturalizados e velados, não se tornam uma preocupação a não ser quando resultam em casos extremos. A sutileza com que esses padrões se fazem presentes, entretanto, parece coloca-los na esfera do inquestionável. Enquanto isso, influenciadas pela atual concepção binária dos sexos, a violência do embelezamento feminino e a repressão aos que não seguem suas regras aumentam.

O objetivo deste artigo não é fechar a discussão com propostas e soluções para as questões apresentadas, mas sim suscitar a reflexão sobre concepções naturalizantes tão freqüentes em nossa sociedade e a desconstrução de valores e conceitos arraigados.

::Referências Bibliográficas

Foucault, M. (1985). A Microfísica do Poder. São Paulo: Ed. Graal.

Laqueur, T. (2001). Inventando o sexo: corpo e gênero dos gregos a Freud. Rio de Janeiro: Ed. Relume Dumará.

Louro, G. L. (1995). Gênero, História e Educação: construção e desconstrução. Educação e Realidade, 20(2), 101-132.

Oliveira, R. M. de (2004). Corpos dóceis ou corpos em rebelião? Construção da feminilidade e devir-anoréxico na internet. Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, Brasília.

Wolf, N. (1992). O mito da beleza: como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres. Rio de Janeiro: Rocco.

Publicado em: PETrechos – Ano XIII – Dezembro de 2004

O Rio adota proibição de fumo em ambientes fechados

Aí a gente, que é viciada, se submete a ir fumar num lugar tipassim.Depósito/Fumódromo

Aí se pendura na janelinha e fica vendo tipassim.

Vista do Rio de Janeiro que continua lindo...

E de hora em hora, vê os sinos badalarem!

Você tá pensando que eu acho ruim?… #adoro!

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