DANILO GENTILI: O Que é Possível Pensar?

Do blog “Comer de Matula

gantiliPrimeiro li a matéria na Folha Online (Diógenes Muniz, 27/07/2009 – 20h02). Depois, críticas aos borbotões. Acusavam o integrante do programa “CQC” da Rede Bandeirantes, de racismo, intolerância, arrogância e assemelhados. Houve quem falasse, também, que o programa é contumaz veiculador e reforçador de idéias preconceituosas, em humilhar e ridicularizar parcelas da sociedade frequentemente alvo de desqualificação. E, aí, pelo programa, também o texto seria absurdamente preconceituoso.

Depois, alguém enviou uma mensagem sugerindo se lesse o texto do “humorista” na íntegra e não através das pinçadas produzidas pela matéria da Folha. Em seguida, trazia boa parte do texto. Dava, de longe, uma boa idéia do contexto de desenvolvimento da argumentação de seu autor. (http://danilogentili.zip.net/)

Quero aqui me fixar na pergunta que Gentili lançou, em resposta à repercussão de sua postagem primeira e transcrita pela Folha: “Alguém pode me dar uma explicação razoável por que posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?”

Também em sua suposta demonstração de perplexidade: “Falando em burro, cresci ouvindo que eu sou uma girafa. E também cresci chamando um dos meus melhores amigos de elefante. Já ouvi muita gente chamar loira caucasiana de burra, gay de viado e ruivo de salsicha, que nada mais é do que ser chamado de restos de porco e boi misturados.

Mas se alguém chama um preto de macaco é crucificado. E isso pra mim não faz sentido. Qual o preconceito com o macaco?”

Através de sua pergunta e de sua “perplexidade”, Gentili coloca uma questão, a meu ver, decisiva para a verdadeira implantação entre nós de idéias fundamentais como direitos humanos, dignidade humana.

A maior parte de nossa história as relações sociais estiveram baseadas no arbítrio & temor, opressão & reverência, desmandos & subserviência. Somos – ainda somos – uma sociedade, mais do que de classes, de castas.

As discussões sobre respeito e dignidade como valores inegociáveis e de todos indistintamente são muito recentes em nosso país. Vieram através da redemocratização, das conquistas fixadas pelo Congresso Constituinte de 1986.

Entre nós, a idéia republicana de universalidade, isto é, de que verdadeiramente todos são igualmente portadores de direitos, ainda é um sentimento em construção. Em diversos aspectos de nossa vida cotidiana podemos perceber o quanto ainda é forte a convicção de que algumas pessoas são verdadeiramente “mais iguais”.

Marcados, constituídos e mergulhados em um mar de desigualdades, arbítrio e violência de toda ordem, não raro topamos com alguém – não raro comunicadores e jornalistas – que “não consiga compreender” o que há de tão errado em extrair riso da ridicularização e humilhação do outro. Veja, por exemplo, a recente reação do “Faustão” à carta da ABGLT protestando contra as constantes manifestações de desrespeito à dignidade de gays e travestis que promove em seu programa dominical.

Estamos em um momento na história de nosso país no qual a mudança se encontra em processo ativo. Enquanto uma parcela de nossa sociedade já compreendeu que é impossível haver alegria, humor, quando alguém está sendo humilhado, outra permanece impregnada da mentalidade arcaica – incapaz de se colocar no lugar do outro, de perceber que formas de ridicularização, por mais “naturais” e “inocentes” que pareçam, são na verdade, mecanismos muito, muito costumeiros e eficazes de inferiorizar, destruir a imagem pública, a dignidade. São, portanto, produtoras de sofrimento moral.

Uma resposta mais rasteira para Danilo Gentili poderia ser que, diferentemente dos demais por ele citados, não se pode ofender ou humilhar um negro em nosso país porque existe uma lei que prevê pena para quem o faça.

Há outra, de ordem ética, isto é, daquilo que é apropriado no relacionamento entre os seres, de modo que o viver em sociedade seja possível. Esta aponta que, embora haja lei punindo apenas o racismo, isto não significa que infrações éticas devam ser toleradas.

Outra, ainda, aponta para a Constituição da República. Ali os representantes eleitos da sociedade brasileira fixaram os valores, os princípios que organizam nosso país e que não podem e não devem ser desrespeitados.

Cabe ao Estado brasileiro, através de suas distintas esferas, fazer com que tais princípios sejam observados. Em respeito à Constituição, aos Acordos e Tratados Internacionais assinados e ratificados pelo Brasil.

Daí porque não é possível que se tolere práticas de humilhações, seja por qual motivo for.

Daí porque é necessário que também o Congresso Nacional consiga superar a visão arcaica e aprovar o projeto de lei que alarga a lei antirracismo, protegendo, ao lado dos negros e judeus, as mulheres, os homossexuais, as travestis e transexuais.

Porque, enquanto vivemos esse processo de transformação de mentalidades, pessoas e vidas precisam ser protegidas de pessoas outras que ainda não conseguem compreender tais idéias e valores e que apenas sabem respeitar leis punitivas.

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