Ha Noi

Hanoi é uma cidade muito interessante. A colonização francesa deixou suas marcas na arquitetura, na fachada das casas e pequenos prédios de 2, 3 ou 4 andares, com varandinhas, janelas de madeira – que na paisagem urbana se misturam aos templos orientais, às gambiarras de milhares de fios, bandeirolas, bandeiras do Vietnã, hortas domésticas, a comida que se prepara em fogareiros no chão da rua e se come sentadas em esteiras e o céu quase sempre cinza por influência da poluição que vem da China.

 Centro de Hanoi

Paisagem urbana

Algum templo de alguma coisa no centro da cidade - o letreiro estava em vietnamita.

Ontem fui com as colegas de evento fazer compras no centro da cidade. Éramos uma lésbica brasileira (eu!), uma hétero-queer indiana, uma lésbica filipina, uma mulher trans da Malásia e uma senhora hétero do Senegal. Ahm? Passeamos a tarde toda, eu comprei três lindos quadros com figuras tipicamente vietnamitas (todas femininas) e mandei fazer uma roupa tradicional vietnamita para usar no casamento da minha melhor amiga-comadre, dia 9 de maio. Xic no úrtimo, como diriam… Fica pronta hoje e vão entregar aqui no hotel. A máxima “barganhe sempre!” também se aplica aqui no Vietnã. No total das compras, conseguimos bons descontos.

Vende-se de tudo

Seda por todo lado.

Uma curiosidade: a moeda local é o Dong Vietnamita, e vale cerca de 0,06 centavos de dólar. Isso significa que cada dólar americano vale 17.000 Dongs. Comprei um leque por 20.000 dongs… uma bolsa por 40.000 dongs… uma cerveja por 10.000 dongs…  e cheguei a pagar 700.000 dongs por um jantar! Isso me faz lembrar nossos tempos de cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, URV e por aí vai. Ainda bem que cortamos os zeros!!!

As pessoas aqui no Vietnã são extremamente delicadas com a gente. Não sei se são assim entre si, mas acho que nunca fui tão bem recebida em nenhum outro lugar que já estive – nem mesmo no Piauí ou no Acre, que são os melhores lugares do universo! Tudo bem que estou em um bom hotel da rede Accor/Sofitel, mas a gentileza da equipe chega a ser assustadora! E o mesmo acontece nas ruas, nas pequenas lojinhas de seda, roupas, artigos para casa, arte, artesanato, bugigangas!! Igualzinho também nos restaurantes e bares! Impressionante!

À noite, um outro grupo de mulheres fomos a um restaurante CHIQUÉÉÉÉÉÉÉÉÉRRIMO de comida vietnamita. Segunda as entendidas do assunto, a comida estava razoável, mas não tão boa quanto o ambiente prometia. Não importa. Pra mim estava boa e, o mais importante, LINDA. Eu queria fazer uma tiara, um broche, um enfeite de cabelo com aquelas flores de pimenta, cenoura, alface e tudo o mais que vinha pra mesa. Entre os legumes cozidos tinha até um passarinho feito de cenoura fatiada! Você pode imaginar?? Não tirei foto porque já estavam fazendo piadas comigo (eu queria tirar foto de tudo o que vinha na comida!! kkkk!), mas prometo que se vir de novo algo assim, vou registrar.

Rolinhos primavera

Rolinhos primavera 

O grupo que foi ao restaurante também era um tanto diverso. Eu, a indiana e a filipina, mais a feminista brasileira hétero mais queer que eu já conheci, uma senhora lésbica mexicana, uma cinquentona linda e chiquérrima australiana e uma americana de 68 anos, também muito chique, que está na 3ª medalha de kickboxing. Como diria Dora Jequitibá: AMAZING! Saindo do restaurante, as duas últimas voltaram pro hotel e nós outras fomos em busca de diversão. Achamos um Jazz Club para tomar mais umas, mas nos vimos frustradas quando informadas que todos os bares, restaurantes e estabelecimentos comerciais no Vietnã têm que fechar à meia noite. 😦 Inclusive os do hotel! Voltamos e ficamos de papo no lobby até mais tarde, having fun!

Jazz club. A foto tá ruim, mas foi a única tomada lá.

Alguns aspectos a destacar: o trânsito é absolutamente caótico. Há muito mais motocicletas do que automóveis, ônibus e caminhões nas ruas, que se misturam com bicicletas, e a gente que anda pelo meio da pista é nada mais que parte do trânsito. Você atravessa a rua desviando dos veículos e os veículos desviando das pessoas. Para que isso funcione, todo mundo precisa buzinar para alertar umas às outras de que estão vindo, passando, por favor não entre na minha frente, e por aí vai. No princípio, o barulho é quase enlouquecedor – mas é incrível a nossa capacidade de adaptação às mais variadas condições ambientais. Todas e todos são muito cuidadosas e ainda não vi sequer uma ameaça de acidente, como aquele que matou o companheiro Paulo Biaggi na DF-150 na madrugada do último domingo, entre tantos outros que temos no Brasil diariamente.

Da janela lateral do quarto de dormir...

Motorbikes

Amanheci hoje com essa notícia que me deixou desolada, muito triste. Perdemos um grande companheiro na luta pelos direitos LGBT, um dos poucos que estava tentando avançar desde dentro do governo e que tentava garantir espaço para todos os segmentos, inclusive para as mulheres lésbicas, bissexuais e trans. Deixo aqui minha homenagem a esse querido homem, que vai nos fazer muita falta.

No próximo post vou falar do Ballet Nacional do Vietnã, que está interpretando Spartacus pela primeira vez na história desse pequenino país socialista no sudeste asiático. Fomos assistir na minha terceira noite aqui. Such a thing!

Aviso às navegantes: o Flickr está com pouco espaço para fotos, estou vendo como vou resolver isso. Para ver mais das minhas fotos nessa viagem, visitem meu perfil no Orkut. Só para amigas e amigos. 😉

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