Quem ama não mata – a morte de Eloá

Indignação de Luriana e Martha

Durante esse período afastada, deixei a TV ligada acompanhando esse caso tão atual que é o do assassinato dessa moça Eloá pelas mãos do ex-namorado (foi enterrada agora há pouco). Um final trágico, mas que nos fez pensar e perceber as reações e atitudes mais absurdamente machistas que, pensamos, já estivessem sendo superadas.

Não acreditamos em crime passional. Não engulimos esse crime como passional, já que não acreditamos nele, claro. Isso é uma desculpa fajuta para “justificar” a proteção da honra de um homem, lhe dando o direito de matar “a mulher desonrosa”.

No mesmo final de semana, uma outra moça foi assassinada pelo ex-namorado que não aceitava o término do namoro. Atirou nela e se matou em seguida.

Mas no caso da Eloá, uma pendenga que se arrastou por 5 dias, garantiram a integridade física do assassino, mas as duas reféns levaram a pior. A outra só não morreu por sorte, pois levou o tiro igualmente na cabeça.

Mas ele é o coitadinho, é um homem atormentado por amor, que fez isso por estar sofrendo de amor, porque não tinha, até então, passagem alguma pela polícia nem problemas de nenhuma natureza. E a polícia não tomou postura mais drástica em relação a ele por causa disso. E os jornalistas, psicólogos, advogados e demais entrevistados explicaram suas atitudes também baseados nesse conceito da mente apaixonada do rapaz. O tempo todo era o que o rapaz estava sentindo. Não ouvimos nenhum comentário sobre como estaria o psicológico da Eloá, por exemplo, ou o trauma que seria para uma menina como a Nayara retornar para o lugar onde foi refém, voltar para o seu cativeiro.

O que achamos impressionante é escutar as inúmeras justificativas para o que ele fez, sempre colocando “o amor” como desculpa, ou até escutar um psicólogo na TV dizer que muito provavelmente ele seja bipolar – falta pouco pra dizer que ele não é responsável pelos seus próprios atos.

Os policiais foram maleáveis com ele por ser um coitadinho, sofrendo de uma desilução amorosa? Um homem trabalhador, só estava apaixonado, coitadinho. Mas agiram como agiram para evitar que ele se ferisse. E as meninas? E a Eloá que faleceu?

Crimes passionais são as desculpas para esses homens acabarem com as vidas de suas ex-companheiras ou atuais esposas/namoradas. É um médico que incendeia a ex-namorada, um playboy que, ao achar que está sendo traído, sente-se no direito de matar a namorada. É o estudante que dilacera o rosto da ex-namorada para que ela não possa ser de mais ninguém. É o coitadinho que joga ácido sulfúrico na ex-noiva. É o motoboy, já denunciado antes por agressão, que faz a namorada refém numa farmácia e a elimina com um tiro na cabeça. Exceto esse último, os outros todos não tinham nada de registros policiais.

Será que essa “teoria do crime passional” existiria se fossem quase totalmente cometidos por mulheres? O que fariam os policiais se fosse uma mulher mais velha, grande, mais forte, que mantivesse dois pequenos rapazes novinhos sob a mira de uma arma? Agora é culpa da vítima ele ser descontrolado – segundo um tenente, a Eloá ficava provocando e respondendo ao assassino, “isso não poderia ser feito, ela não devia ter agido assim”. Agora é culpa da outra vítima também por ter retornado ao cativeiro – “foi uma surpresa para nós que ela entrasse novamente”. Tadinha, burrinha, ela ia só até a porta acenar pra amiga do outro lado de uma linha imaginária, tendo a nuca apoiada por um cano de um calibre 32.

São casos como esse que nos mostram que ainda falta muito a ser percorrido contra o machismo. O assassinato da mulher pelo seu ex-companheiro é geralmente justificado com essas desculpas esfarrapadas de “amor”, “paixão”, “ciúmes”.

Um criminoso e um assassino é o que ele é. E somente isso, um assassino, que cometeu um crime premeditado, se preparou para isso. Comprou arma, armou para tirar o irmão dela de casa, levou munição nos bolsos. Agrediu, bateu, xingou, humilhou e a matou.

Mais chato ainda é ver que as únicas pessoas que também viram esse caso sem essa “desculpinha” de amor foram mulheres. Para os homens isso ainda parece justificável…

E outra coisa que me chamou a atenção… o tipo de relacionamento que a Eloá e a Nayara tinham. Pelo que a amiga fez, pelas fotos que víamos na TV, pelo comportamento das duas… elas se amavam. Não digo no modo sexual, mas aquele amor inocente, aquele amor que, pela outra, a Nayara foi capaz de voltar a ser refém para não deixá-la sozinha. Talvez até uma linha muito tênue dividisse esse amor entre elas de um amor lésbico. Até consegui ver o assassino ter ciúmes da outra na vida da ex-namorada.

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4 Respostas to “Quem ama não mata – a morte de Eloá”

  1. marcilenny Says:

    concordo com tudo que esta sendo dito ele e um bandido da pior especia nada justifica o que esse monstro fez!!!
    ass:marcica

  2. taynara.dias Says:

    acho q quem ama nao mata pois se a pessoa ama ela sempre vai querer estar do lado da pessoa amada as vezes a pessoa esta passando por problema psicologico acho tambem antes de tomar qualquer decisao que pode mudar seu futuro a pessoa deve pensar dez vezes… temos que lutar por um mundo melhor sem violencia ,sem crimes….

  3. Renata Says:

    Há ta, tambem tem caso de mulher que mata o marido por ciumes, ou pelo dinheiro, e outras muitas coisas. A coisa ai aconteceu pq houve repercusão, e vc como a maioria das pessoas burras do Brasil foi influencia por um fato, e depois usou um senso critico. Acorda

    • jandirainbow Says:

      Desculpe… acho que não entendi. Você está direta e abertamente me chamando de burra porque dei visibilidade e opinei a respeito desse acontecimento – cruel e bárbaro, sim, e que tem a ver com todas as mulheres e não somente com Eloá?! Estou enganada ou você está dizendo que do mesmo jeito que mulheres são violentadas, e na mesma medida, elas também têm historicamente violentado os pobres dos homens?? E eu que tenho que acordar?
      Estou aberta ao debate, querida. Desde que vc não se esconda atrás de e-mail falso e me respeite assim como respeito você.
      Jandira


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