A Diarista e os microônibus do Arruda

Fiquei pasma ao ver a nova propaganda do GDF sobre as supostas melhorias no sistema de transporte público em no Distrito Federal. Gente, até cara de pau tem que ter limites, né não?!

A Cláudia Rodrigues, com essa imagem popular, ou não anda de ônibus, ou está ganhando muitíssimo bem pra dizer tanta mentira na televisão em nome de um governo que não tem o menor interesse em melhorar a qualidade de vida das pessoas pobres ou menos favorecidas nesse Distrito Federal! Você já viu algum desses microônibus ao vivo e a cores? São pequenos, os bancos são quase colados uns nos outros e não são suficientes para toda a população que antes usava as vans. Até entendo que os motoristas das vans não respeitavam passageir@s e regras de trânsito. Mas pelo menos atendia todo mundo e fazia linhas que os microônibus e ônibus convencionais não fazem! Os motoristas dos microônibus tb não respeitam nada, e ainda por cima são poucos! Outra: desde quando carteira assinada é garantia de felicidade pra alguém? E desde quando a mesma carteira assinada garante que o motorista vá trafegar em segurança pra ele, pra quem ele está carregando e pra quem está trafegando na mesma via? Muito pelo contrário: ônibus e polícia por aqui dão é medo na população!

Sou usuária de automóvel particular há muitos anos, mas desde que a situação do aquecimento global começou a ficar nitidamente muito grave no meu entendimento, retornei ao uso do transporte coletivo e da caminhada. Como moro no Plano Piloto, é muito fácil se locomover a pé, até porque a cidade é plana, arborizada, planejada e segura. Mas quando se trata de ônibus, a coisa muda de figura. E aí vem a Diarista limpar a barra dessa bandalheira…

Primeiro, você chega no ponto de ônibus e espera. Espera mesmo! O ônibus que você quer demora muito a passar, e de repente lá vêm eles: dois ou três fazendo a mesma linha, passando juntinhos, numa competição bizarra pra ver quem chega primeiro, ameaçando a vida de quem está dentro do ônibus, no ponto de ônibus e ainda os demais veículos que trafegam na via.

Aí você entra no ônibus e ele está todo sujo, encardido, por vezes cheio de terra – depende do trajeto que ele faz – com os bancos quebrados, a roleta tão dura que quase não se consegue passar, e ainda fazendo barulho de trem-fantasma! O que os ônibus de Brasília rangem não está no gibi!

Então você, com sorte, senta. Sem sorte, vai em pé mesmo. Os motoristas (não faço flexão de gênero aqui porque nunca vi uma motorista de ônibus em Brasília) podem até ter carteira assinada, mas não parecem muito satisfeitos com a vida que levam. O barulho do motor na cabeça deles o dia inteiro deve dar algum ‘revestrés’, porque eles dirigem como loucos. Parece que o tamanho do veículo interfere na lucidez, eles acham que podem jogar o carro pra lá e pra cá que os outros veículos vão se adaptar e fugir deles. Pra sair do ponto, são pelo menos três solavancos: tchuum, tchuuum, tchuuuum… quem ainda não sentou, que procure se segurar nas barras ou é jogado diretamente no chão – se tiver espaço, claro. Se não, vai se apoiando em quem estiver em pé – já agarrado no ferro – no corredor.

Me avô foi motorista de ônibus no Rio/Niterói quando era moço, há muitos anos. Mas como até hoje os nossos ônibus não contam com câmbio automático, acho que ainda vale o comentário indignado dele pra mim um ano desses pra trás. Ele diziam que os motoristas não sabiam valorizar o equipamento, que dão socos no motor com muita violência (essas arrancadas horrendas) e que isso acaba com o carro. Aí é como dominó, né gente. Avaliem comigo: força o motor, quebra o motor, o ônibus pára, não tem outro pra repor, menos um ônibus na rua, mais gente no ônibus seguinte, muito peso pro ônibus, e o motorista ainda maltrata o motor… resultado: um monte de ferro-velho parado num depósito, e o dinheiro dos nossos impostos jogados pelo ralo mais uma vez.

Mas pior que isso é a falta de educação, formação e respeito dos motoristas com quem anda nos ônibus. Fico pensando: será que as mães dos motoristas de ônibus andam de ônibus?? Se andam, será que eles sabem disso? Como será que eles se sentiriam se pensassem que aquela velhinha que quase se arebentou no assoalho do transporte que ele conduz poderia ser sua mãe, e como ela e ele sofreriam com o resultado de um “acidente” desses? Sempre que ando de ônibus – às vezes faço essa opção, pela seca, calor ou chuva – e me deparo com um motorista desses, gosto de cantar aquela musiquinha dos Inimigos do Rei (lembram?): JOGA A MÃE PRA VER SE QUICA, JOGA A MÃE PRA VER SE QUICA!

Mês passado fiz uma viagem de ônibus de casa para o trabalho que foi muito agradável e segura. O Motorista (com maiúscula mesmo) era consciente, tranquilo, respeitador. Não ultrapassou a velocidade da via, não fez curvas perigosas, esperou todo mundo sentar para sair do ponto, uma beleza. Fiz questão de cumprimentá-lo à saída. Espero que tenha surtido o efeito de incentivá-lo a continuar assim.

Justiça seja feita: a destruição dos ônibus também é culpa d@s usuári@s que depredam, sujam e desvalorizam o transporte público. Mas não dá pra engolir a compra de ônibus de segunda-mão e o anúncio de que eles são novos em folha, né!

Governador Arruda e Secretário Fraga, não somos imbecis! Respeito é bom e a inteligência da gente agradece!

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5 Respostas to “A Diarista e os microônibus do Arruda”

  1. Luh Says:

    Jandira…
    Aqui no MS naum eh mto diferente o caos do transporte público… E pra completar, o governador do Estado é dono de uma das empresas que prestam esse serviço… aí já dá pra imaginar, né…
    Mas felizmente temos muitAs Motoristas nas linhas… atenciosas, educadas, conscientes…

    Abraços… Adorei o blog…

  2. jandirainbow Says:

    Pois é, Luh, aqui tb o vice-governador é empresário do ramo de transportes – dono de concessionárias – além de ser tb grande empresário da construção civil. Aí já viu, né… compra ônibus pra cá, faz viaduto ali… e assim vai nosso dinheirinho sendo queimado em obras e iniciativas que são paliativas e não resolvem nada. Enquanto motoristas não forem educados para lidar com os carros e com passageir@s, continuaremos sofrendo aos trancos e solavancos.

  3. Luh Says:

    Jandira…
    Nem havia mencionado… mas já que vc lembrou do teu Estado, aqui tb não é diferente… não é só empresas de transporte coletivo, mas tb de construção civil, coleta de lixo, fora algumaoutra que com certeza ainda ñ sabemos…
    É pracabá!!

  4. jandirainbow Says:

    Pois é, aqui tb vai longe… Essa é a hora de mudar a realidade dos estados que sofrem com os interesses particulares de seus governantes!! Olho no voto e em 2010 tem mais!

  5. Braga Says:

    Acho que se você escreve esse texto hoje escreveria diferente.

    Nem o Plano Piloto é mais um lugar seguro no DF.


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