Carnavalirizando

 

bloquinho na zona sul

 Tinha de um tudo do que tem na classe média. Velhas, crianças, gente bonita elegante e sincera, tudo bem alvinho. Não achei ninguém que eu conhecesse. O bloco estava ensaiando em etapa visivelmente preliminar. Achei que poderia encontrar ali alguma companhia boemia, alguém interessante; mas não foi o caso. Saí, rumei pro ponto. Chegou meu ônibus, entrei. Um rapaz avisou ao motorista, enquanto eu entrava, que um senhor cego estava pedindo entrada pela porta de trás. Ele entrou e anunciou lá do fundo ao cobrador que ficaria na passarela três. Todo mundo já sabe, avenida brasil. Cobrador orientou que se sentasse mais à frente. Lá vem ele tateando. Vem vindo, vem vindo, eu achando fofo tudo isso. Tinha assento bem na frente do cobrador, mas ele escolheu sentar-se ao meu lado. Fim da fofisse. Cheiro de mijo da porra.

Ponto perto da Glória, três pessoas com sotaque latino consultam ao condutor: Lapa? Galera no busão: siiiiii!! Yeeeeeeishhh! Entram e animadamente conversam durante o curto trajeto de três paradas.

imageO senhorzinho cego se justifica: foi muita chuva esses dias, cancelou meu cartão. Eu desço na passarela três e entro pra favela. Outro dia cheguei todo encharcado. Mas vai ser bom porque agora vou fazer uns exames, vou pegar um cartão com direito a acompanhante.  Assinto que acho digno, ele precisa e provavelmente merece.

Lapa. Cobrador: Lapa! LA PA, pausadamente, para o trio turista entender e ficar onde queria, no meio do fervo.

Meu ponto está chegando, então peço licença ao senhor cego. Ele se vira de ladinho, com todo cuidado, e agradeço para ele saber já pode voltar à posição.

Bom carnaval, minha filha.

Para o senhor também.

 

Casamento “bíblico” desmascarado

Quem clama que o modelo bíblico de casamento é o de marido e esposa unidos para toda a vida, aparentemente não anda lendo a Bíblia.

Por Miguel De La Torre
Tradução livre: Jandirainbow

Muitos cristãos de hoje em dia falam sobre o casamento tradicional bíblico, mas se a verdade for trazida a tona, saberemos que o casamento tradicional não é um conceito bíblico. De fato, seria difícil encontrar um cristão ou cristã dos tempos modernos que realmente consiga manter um casamento bíblico na prática, já que o entendimento bíblico a respeito do casamento significava a posse de homens sobre mulheres, e que estas existiam para o prazer sexual.

Após o casamento, a propriedade de uma mulher e de seu corpo passaria a ser do novo marido. Como chefes de família, os homens (geralmente na faixa etária de 18 a 24 anos) tinha poderes praticamente ilimitados sobre as esposas e sua prole.

Uma mulher se tornava disponível para a posse masculina logo após atingir a puberdade (em geral, entre 11 e 13 anos), ou seja, quando ela se tornava fisicamente apta a produzir filhos. Hoje, chamamos tal arranjo de estupro estatutário. O modelo bíblico para relações sexuais inclui homens adultos levando meninas para seus aposentos, como fez o Rei Davi em Reis 1:1-3.

Ao longo do texto hebreu, toma-se como certo que mulheres (assim como crianças) são bens dos homens. O texto não enfoca de maneira séria, ou não se concentra na condição das mulheres; sua identidade é formada por sua condição sexual em relação aos homens: filha virgem, noiva desposada, mulher casada, mãe, esposa infértil ou viúva.

Sua dignidade e valor como sujeito criado à imagem de Deus é subordinada às necessidades e desejos dos homens. Assim como bens materiais, o valor das mulheres é frequentemente comparado a uma casa ou um rebanho (Dt. 20:5-7), como demonstrado no último mandamento, “não cobiçarás do teu próximo a casa, a esposa, o escravo, o boi ou o jumento” (Ex. 20:17).

Uma vez que as mulheres eram excluídas de ser sujeitos deste comando, a mulher – como a casa, o escravo, o boi ou o jumento – é reduzida a objeto: apenas mais uma posse, mais uma parte da propriedade que pertence ao homem, e portanto não deve ser cobiçada por outro homem.

Existem muitas maneiras em que a Bíblia não pode ser um ponto de referencia literal ou um livro-guia para casamentos dos tempos modernos. Por exemplo, considerando que o propósito do casamento era a reprodução, a união poderia ser dissolvida pelo homem se sua mulher falhasse em lhe dar herdeiros.

Para além da reprodução, o casamento no contexto de uma ordem patriarcal também servia a fins políticos e econômicos. Os casamentos na antiguidade estavam focados principalmente na codificação das obrigações e responsabilidades econômicas.

Pouca atenção era dedicada a como o casal se sentia, um em relação ao outro. As esposas eram escolhidas nas boas famílias, não só para assegurar a legitimidade da prole de um homem, mas para fortalecer alianças políticas e econômicas entre famílias, clãs, tribos e reinados. Para assegurar-se que nenhum bastardo fosse tido como herdeiro legítimo, as mulheres ficavam restritas a apenas um parceiro sexual, seu marido.

Os casamentos bíblicos podiam ser endogâmicos – ou seja, aconteciam entre membros da mesma família extendida ou clã – diferentemente do conceito ocidental moderno de exogamia, em que uniões ocorrem entre “estranhos”.

Os homens podiam ter tantas parcerias sexuais quantas pudesse sustentar. Os grandes patriarcas da fé, como Abraão, Isaac, Jacó e Judá, tinham múltiplas esposas e/ou concubinas, e se deleitavam com prostitutas ocasionais (Gen. 38:15). Registra-se que o Rei Salomão, sozinho, tenha tido mais de 700 esposas princesas e 300 concubinas (1 Reis 11:3).

O livro de Levítico, ao instruir homens que queriam ter um harém, faz apenas uma proibição, que é não “possuir” irmãs (Lev. 18:18). A Bíblia Hebraica é clara ao dizer que os homens podiam ter múltiplas parcerias sexuais. As esposas garantiam herdeiros legítimos; todas as outras relações sexuais existiam para o prazer da carne.

A mulher, por sua vez, era limitada a apenas um parceiro sexual que mandasse nela – a menos, obviamente, que ela fosse prostituta.

O casamento bíblico era considerado válido apenas se a noiva fosse virgem. Se ela não o fosse, então teria que ser executada (Dt. 22:13-21).

Os casamentos só poderiam acontecer se as mulheres fossem crentes (Esdras 9:12). E se o marido morresse antes de ter filhos, seu irmão deveria casar-se com a viúva. Se ele recusasse, ele teria confiscada uma de suas sandálias, seria cuspido pela viúva, e teria de mudar seu nome para “A Casa do Descalço” (Dt. 25:5-10).

Ainda que não queiramos admitir, o casamento é uma instituiçãoo em evolução; um construto social que vem mudando para melhor desde os tempos bíblicos. Quem clama que o modelo bíblico de casamento é o de marido e esposa aparentemente não tem lido a Bíblia ou examinado as fontes documentais que descrevem a vida na antiguidade.

O quanto antes nos afastarmos do mito do chamado casamento tradicional bíblico, mais preparados estaremos para discutir o que constitui uma família no século 21.

Miguel De La Torre

Miguel De La Torre é professor de ética social e estudos latinos na Illiff School of Theology em Denver, EUA, e ministro Batista ordenado.

O artigo original em inglês foi publicado em 12 de fevereiro de 2013, no site da Associated Baptist Press – ABP News. Permalink: http://www.abpnews.com/opinion/commentaries/item/8209-#.UR4W71rwKv0

The Elephant e o Coreto de Waltham

Ontem saímos mais cedo do escritório porque tinham uma reunião interna lá da equipe que não nos incluía. Viemos pro hotel e aproveitamos que era cedo para aproveitar a piscina. Fernando entrou e nadou de braçada, eu não me animei muito e fiquei lendo na espreguiçadeira.

Aqui está fazendo muito calor. Minha avó, com quem falei hoje pelo telefone, disse que já noticiam mortes de várias pessoas por causa do calor aqui nos EUA. Faz sentido. Para o jantar, tínhamos comprado umas pizzas e coisas de esquentar no microondas, mas resolvemos sair e procurar alguma coisa na cidade, que fica a uns 20 minutos daqui, de carrão. Aliás, nosso carro é um Mitsubishi chiquérrimo, com ar condicionado, rádio, bancos de couro (ou algo parecido), super mega confortável, branco perolado. Uma coisa, minha gente. Nunca terei um desses, amém.

Eu e Fernandinho nos divertimos muito, porque a cada dia descobrimos mais uma função nos miles botões, e pra nós que estamos acostumados a usar as marchas, é difícil só acelerar e frear. Me animei de ir dirigindo hoje pro escritório na quinta (qdz, post multi-tempo), e isso é assunto para um post exclusivamente dedicado à experiência.

Eu, que já conheço Waltham como a palma da minha mão pelo “passeio” de domingo, sugeri que fôssemos ali em volta da praça do centro para procurar um restaurante. Que coisa linda! Terça-feira, fim de tarde (tipo 8 e meia da noite já, mas claro e quente), a praça tava cheia de senhorinhas e senhorezinhos assistindo a uma banda de música popular que tocava no coreto. Acabo de descobrir que trata-se da Waltham City Hall square. Me chamou a atenção que a maioria dos homens aqui usam bigodes.

Super bonitinho, mas tínhamos fome. Chegamos a um restaurante chamado The Elephant, de comida tailandesa. Pedimos. Não era muito barato, mas não era caro. Valeu a pena, viram! Pedi um lombo de porco num molho agridoce, com uma fatia de berinjela grelhada e acompanhado de arroz de jasmim sobre uma fatia de pepino e umas fatias de abacate que estava maravilhoso! Fernando pediu um frango com legumes grelhados que também estava delicioso. Pedimos um prosecco italiano – o mais barato da casa, mas ainda assim ótimo – para acompanhar e saímos de lá felizes da vida.

Viajantes, guardaram? The Elephant, Main Street em Waltham, na praça do City Hall. Recomendadíssimo.

“Por donde entramos, Jandirinha?”

Chegou Fernandinho, meu companheiro nessa aventura científica latinoamericana em Boston. Na verdade, é Sommerville. E na verdade, América Latina nesse caso se resume a Brasil, México, Argentina e El Salvador. Mas a aventura já se anunciava desde quando começamos a planejar essa viagem.

Primeiro, fizeram questão que viéssemos em julho. Definimos a semana de acordo com nossas agendas, eu e Fernando, e informamos as datas ideais. Disseram: OK, vamos ver as passagens. E um silêncio sepulcral se seguiu entre esse momento e o nosso desespero. No meio disso, mandaram perguntar se tínhamos licença internacional para dirigir automóveis, porque estavam tentando achar uma hospedagem pra gente. Ferando me perguntou: ei, Jandirinha, dónde piensan mandarnos? Uma semana antes do dia da viagem mandei uma mensagem assim: NEWS, PLEASE!!?? Aí a passagem já tava emitida, o hotel já estava reservado – em Waltham – e um carro com GPS já nos esperava no aeroporto de Boston. As coisas pareciam se encaixar, mas ainda assim tínhamos uma pulga atrás da orelha que nos perguntava coisas extremas do tipo: será que é gente do outro lado da corrente que quer sequestrar ativistas latino-americanos para roubar-lhes o cérebro?

Ah, vai… trata-se da Gringolândia, né gente, terra fadada a ser atacada por aliens, ser alvo de meteoros, é por onde sempre começa o fim do mundo… essas coisas.

Depois da minha saga pessoal regada a amartia para chegar do aeroporto de Boston até o hotel em Waltham, fiquei esperando meu companheiro de viagem, que chegou por volta das 9 da noite. Exausto e faminto.

Linda, a recepcionista. O nome dela é Linda. Como euzinha cheguei querendo matar um leão pra comer, e tomar toda a água fresca do planeta, perguntei se no hotel tinha cozinha, lanchonete, conveniência, qualquer coisa. A única coisa que tem são as tais máquinas de chips e coca-cola. Bleargh. Mas tem um hotel Westin bem pomposo aqui do lado, enorme, que conta com um restaurante que pode atender uma emergência – como era o caso. Esperei Fernando chegar e lá fomos nós.

Encontramos umas portas de vidro e nos metemos. Não tinha uma recepção, só um monte de sala de conferência. Entramos, corredor adentro, uma e outra sala, mais uma porta, nada de aparecer alguém. Estranho, muito estranho. Tudo lá abandonado, aceso… Saímos para dar a volta, afinal a entrada deve ser ali de frente pra pista. Praticamente demos a volta no hotel e nada de ter um acesso, calçadinha, trilha no gramado, sinal de entrada social, nada. Tinha lá em cima umas coisas que pareciam entradas. Então decidimos subir o gramado e meter-nos ali pelo meio daqueles arbustos, estão vendo? Pois é, tinha uns banquinhos tipo fumódromo (do centro de convenções, deve ser), uma piscina com gente dentro, mas a porta pra piscina estava fechada. Ao lado tinha uma outra porta, aberta, entramos. Saímos de novo no centro de convenções. Ah, fomos nos metendo por aqui, ali, até que chegamos a uns elevadores e pelo menos ali indicava o andar do restaurante. Ufa!

Mesa para dois? Sim. Sentamos. Vimos que era possível sentar do lado de fora, o que para duas pessoas tabagistas faz toda a diferença. Na América do Sul. Aqui em Masachussetts não faz nenhuma. Não é permitido fumar em nenhum restaurante que entrei até agora, só do lado de fora. E no caso do hotel, do lado de fora era lá na rua, saindo pela porta – aquela que ainda não sabíamos onde era. Tá, a gente pode esperar. E já que não podíamos fumar ali fora com os mosquitos, achamos melhor deixar os mosquitos se divertirem com o reino vegetal e voltarmos lá pra dentro, com o ar condicionado.

Na mesa ao lado da que o garçom – um costarriquenho cafuçú delícia – já tinha arrumado pra gente quando chegamos, estava sentado um senhor sozinho. Ouviu a “charla” hispânica e puxou conversa. É peruano, mas mora aqui nos Istêites desde bem pequeno. Em Orlando. Trabalha para uma empresa que está abrindo escritório por aqui e veio dar treinamento. Eu, que AMO o Peru, engatei no papo e lá pelas tantas perguntei se a migração da família tinha relação com o terrorismo dos anos 80 e 90. Ele se limitou a lamentar que o terrorismo agora esteja voltando, com esses dois últimos presidentes que trataram terroristas “con mucho cariño” (??) e que o Peru precisa de alguém como Fujimori.

FUJIMORI???

Foi a única reação que pude ter. Diz o Fernandinho que eu estava comendo, olhando o prato, e que nessa hora virei pra trás e que praticamente todo o restaurante (nós e a outra mesa ocupada…) ouviu meu espanto. Bem, ele fez brevemente sua defesa e foi o suficiente para não lho darmos mais nenhuma atenção.

O salmão com capim-limão e legumes estava bom. O hambúrguer do Fernandinho também estava gostoso. Tomamos nossa Estela Artois draft e voltamos pra dormir. O fujimorista saiu antes de nós.

Dia seguinte, no café da manhã, adivinha quem de diz, sorridente, um BOM DIA! bem à brasileira? Ai, meus sais… Ele está hospedado no mesmo hotel que a gente. A cada chegada ou saída lá vem ele tentando ser simpático. Fazer o quê? Continuo amando o Peru, mas nunca mais voltamos ao Westin e fugimos do fujimorista todas as outras vezes que o encontramos.

Moral da história: preciso controlar mais meus impulsos, já que nos próximos meses vou ouvir muita opinião contrária à minha.

Próximo capítulo: Todo domingo havia banda no coreto da pracinha de Waltham. No caso, era terça-feira.

“É isso aí…”, Amartia, ou o início de uma aventura científica latinoamericana em Boston

Senta, que lá vem história.

É isso aí. Eu, viajante lunática pelo mundo, nunca tinha pousado meus pezinhos em terras norte-americanas. Nem muito ao norte da América do Sul, pra dizer a verdade. Nem mais ao norte da América Latina. Norte, até agora, tinha sido Europa. Nunca desejei visitar os Estados Unidos, mas sempre quis saber como era passear em Nova Iorque – que nem considero uma cidade só americana, assim, sem conhecer.

Pois é, me convidaram. Na verdade, tive que vir aqui por um projeto de pesquisa em que estou trabalhando, que inclui uma semana de treinamento e instrução. Em Boston. Nada parecido a Nova Iorque – espero!!

Bilhete emitido, viagem marcada para sábado à noite, escala em Atlanta, Boston ao meio-dia. Tudo acertado, feira feita, comida estocada para a semana de quem fica, MPB tocando no rádio, Ana Carolina com seus agudinhos enjoativos, e eu “por que ela faz isso com o samba???”, diarista devidamente contactada e instruida a vir pôr ordem no que deixei acumular em semanas de trabalho intensivo, mala verde limão orgulhosamente compacta e leve pronta, materiais de trabalho na mochila de rodinhas, carteira, batom, passaporte (e só!!) na mochila das costas, táxi, aeroporto internacional Antônio Carlos Jobim. Fila da Delta. Ana Carolina na fila. É isso aí… Ana Carolina ao vivo e a cores. Vamos curtir uma dyke-jornada. OK, desde que não me cante – no ouvido. Pode me cantar e até Betty Faria, mas sem solfejo, pode ser? Fila para verificação de passaporte, aquelas filas de gente que parecem gado indo pro matadouro, com cara de “poker”, vai Ana Carolina, vem Ana Carolina, faço cara de “poker” pro outro lado, medo dela, gente… Imaginem: É isso aíiiiiiiiiammmmm… no seu ouvido. Ui.

Passo no free-shop para repor um lápis de olho preto que desapareceu da mala na última viagem. A Delta chama, lá vou eu pra fila de entrar no avião. De repente, ao longe: Jan… Jan?? Jandira!! Opa, é comigo. É a Mme. Lou, que já vai de novo pros States. Legal, delícia de companhia a bordo dessa jeringonça estranha de bancos azuis de um corino velho e brega que é o avião da Delta. Mais: não tem televisãozinha individual!!! Tive que assitir ao Eddie Murphy em 1000 palavras. Já viram? Não percam a chance de ver algo melhor! Well, uma companhia gringa, indo pra Gringolândia, tá bem, não tem como esperar muita coisa. Meu companheiro de aventura científica latinoamericana em Boston, Fernandinho, já tinha me avisado que chegaria com 8 horas de atraso devido a um problema técnico na aeronave que o levaria ao meu encontro. Eu, com 120 reais no bolso que já tinha esquecido de trocar por dólares antes de entrar pra sala de embarque, pensei que não haveria nada mais a fazer do que esperar por ele para irmos ao hotel. Polianísticamente, planejei dormir o vôo inteiro e trabalhar durante essas 8 horas de aeroporto. E pros momentos acordada, a companhia de Mme. Lou. Só não teve momentos acordada, dormi o vôo inteiro.

OITO horas num aeroporto em Boston? Pra uma aquariana ansiosa? Imagina!! Nem pensar.

Conexão em Atlanta tranquila, mais 3 horinhas de sono – ainda bem! – aterrisagem perfeita, casa de câmbio já na saída do desembarque – opa! – 120 reais mais 30 liras turcas que sobraram nos bolsos da viagem a Istambul, 51 dólares, suficiente para transporte urbano até o hotel, né! Ihuuuuu!! Mala. Cadê minha mala verde limão que deveria estar aqui? Ah… ficou para vir no próximo vôo de Atlanta, que chega em meia hora. Tranquilo, vou fumar um cigarro e me enteirar de como faço pra usar o transporte urbano coletivo. Silver line grátis do aeroporto até a South Station, dali a Red line até Central Square Station, dali o ônibus 70 até Main Street opp. Cutting Lane, Walthan, Massachusetts, que é perto de onde o hotel fica, uma caminhadinha, malas de rodinha, ok. Por isso é que nos alugaram um carro para os dias aqui, não havia vaga nos hotéis mais próximos ao escritório.

Pá! Páquê serve o iPhone com roaming internacional, néam! Liga, ativa, maps! Tudo certo, lá vou eu. Silver line, red line (também grátis, porque é continuação da silver!), Central Square, fome, Starbucks, má escolha de um café quente no calor do verão daqui, um sol escaldante, identifica onde fica Green street com Magazine street pela vidraça da Starbucks, ônibus 70, Main street. Main street. Main street. Uma gravação avisa, quase que a cada 100 metros, o nome da parada. E eu só pensava em Main street. Main street. A voz do ônibus disse: Main street com sei lá o que. Não tive dúvida, apertei a fita amarela que fica pregada nas paredes do veículo, “stop requested”, agarrei minha mochila e puf puf puf, desci. Olhei pros lados, ativei o maps no iPhone e puuuuuuuutz… longe bagaray. Tá, espero o próximo ônibus 70 e vou até o ponto certo da tal Main street que não era aquela. É que eu ainda não estava em Waltham. Eu, a mochila com passaporte, batom, carteira, a mochila com laptop e materiais de trabalho e… cadê minha mala verde limão orgulhosamente compacta com TODAS as minhas roupas que estava aqui?

É isso aí… esqueci dentro do ônibus. Tive sorte que, na hora de pagar, como tinha mais gente entrando e eu não queria atrasar o ônibus, saquei da carteira uma nota de dez e perguntei ao motorista de podia pagar em dinheiro – tem lugares, como em Buenos Aires, em que você só paga com o cartão ou com moedas. Eu até tinha moedas, mas imaginem aí com duas malas, uma mochila, ficar contando moedas que eu não conheço até chegar a 2 dólares. O condutor então me indicou onde enfiar a nota de dez e me disse: agora vai sair um tíquete com crédito no valor do troco que você pode usar para ônibus, metrô, trem, tudo. Olhei pra ele com cara de “ah, tá”, lá estava em meu poder um tíquete de 8 dólares que eu nunca mais ia usar. Pelo menos eu pensava assim. Pensei logo em trocar por alguém no escritório. A SORTE GRANDE foi esse tíquete, que tinha o número de telefone da companhia de ônibus, e que eu ainda contava com 10% de bateria no iPhone – quem tem sabe como é desesperador estar na rua com 10% de bateria no iPhone, significa que vai morrer em instantes… Ligay. Contem pra moça lá o meu drama. Ela me passou pro Benneton, responsável pelo achados e perdidos. Meu amigo Benneton pegou meu telefone e disse que me ligaria de volta. Esperei o próximo 70, entrei, contei meu drama ao motorista, que se solidarizou tanto que até esqueceu de parar no ponto que o povo havia solicitado. Gritaria geral no ônibus: quase ouvi “ô piloto, paraê ô!” Normal, aqui os motoras são mais educadinhos, mas usuário é usuário em qualquer lugar. E eu só pensava: Waltham, Main street. Waltham, Main street.

Vi a placa que dizia “a partir daqui, Waltham”, e quando a voz disse Main street, desci com minha meia-bagagem. Meu celular já descarregando, decidi ir pro hotel e de lá ver como recuperar a mala. De repente, voltar pra linha do ônibus e esperar que aquele primeiro ônibus passe de novo. O Benneton nada de me ligar. Entrei num salão de beleza e perguntei: onde fica a 4th street? Me indicaram caminhar no caminho oposto do que eu tinha de memória do mapa do iPhone, mas é isso aí, sou perdida, deve ser pra lá mesmo. Depois vc anda um pouco, vai chegar na rotatória, segue, a próxima deve ser ela. Fui. Uns 30 minutos depois, a rotatória. Uns 5 minutos depois, a Forest avenue. Não quis acreditar na má interpretação do meu “fourth” para ter se transformado em Forest… segui. Segui. Em frente. iPhone descarregado. Nem uma viv’alma no caminho. De repente, um campo de futebol ou algo do tipo com um monte de garotas. Um prédio lá do outro lado parecido com o da foto do Extended Stay, reservado pra mim. Torci muuuuuito pra ter chegado. Ha! Que nada!! Chorei. Engoli o choro. Cansada pra porra, um calor desgraçado, a calça jeans já colada na pele de tanto suor, a camisa de manga 3/4 já se empapando, o tênis cozinhando meus pés…

É isso aí: como a gente achou que ia ser, a vida tão simples é boa… quase sempre (simples). É isso aí: os passos vão pelas ruas, ninguém reparou na perdida aqui, a vida sempre continua. É isso aí: há quem acredita em milagres, há quem cometa maldades, e há a Jandira que se perde em todos os lugares onde vai. É isso aí: eu não sei me oooooooorientaaaaaaaar, eu não vou me oooooorientaaaarrrrr, não consigo me ooooorientaaaar… eu só me canso de andaaaaaarrr…

Me meti pra dentro de uma cancela de algo que se parecia uma escola ou uma residência estudantil de campo, sentei na grama debaixo de uma árvore, abri o computador, liguei o telefone na carga e esperei. Liguei pro Benneton. Olha, estou perdida, não sei onde estou, é perto da Forest street. Ele me contou que o ônibus não passava nem perto dali. Perguntei – porque não me custava dinheiro, eu acho, já que uso o infinity da Tim e me prometem um “ilimitado sem limites” – se ele não tinha um número de táxi em Waltham pra me informar. Ele lamentou, não podia me ajudar. E se eu não conseguisse pegar a mala no ônibus ainda naquele dia, teria que ir buscá-la em Charleston, Massachusetts. Sabe onde fica? Nem eu. Perguntei e ele me disse que não estava exatamente perto de Waltham. Você tinha colocado aquela calcinha e aquela camiseta na bolsa de mão para o caso de algum imprevisto? Pois é… não né. O bom é que nesse momento a música-chiclete na minha cabeça deixou de ser o “é isso aí” da Ana Carolina – já não aguentava mais – para o “Charleston, Charleston, só quem dança sabe o que é boooooommmm” da Simony com o Balão Mágico. Eu achei vantagem.

O que não tem remédio, remediado está. E o Ronald tinha me ensinado o conceito de “amartia”, e eu fiquei lembrando muito dele. Amartia é o conceito primeiro do pecado, segundo o qual se você tem que tomar uma decisão e opta pela decisão que não foi a mais adequada e ela te traz problemas ou te dá mais trabalho, esse é o preço da decisão impensada, mal planejada ou mal tomada. Pois eu estava pagando o preço por não esperar meu colega que ia chegar mais tarde, sozinho, cansado e ainda ia ter que dirigir sozinho um carro alugado nos EUA até o hotel que a gente não tinha ideia de onde era. Pois bem, agora me restava voltar pro lugar de onde eu saltei do ônibus e esperar que o carro nr. 379 passasse de novo por ali com minha mala, que o Benneton já tinha me avisado que ainda estava lá, aos cuidados do condutor. Puf puf puf puf puf… lá vou eu. Outra coisa que do avião não parecia assim, mas todos os caminhos aqui levam… pra cima. Eita lugar pra ter umas ladeiras não muito íngremes mas longas! E lá se iam já umas duas horas de perdição.

Passou um táxi!!!!!!! Pedi que me deixasse ali na Main street, perto daquela praça grande ali pra direita. Ele nem me cobrou a corrida, de tão perto – de carro, claro. A pé e cansada, uma eternidade de distância.”Bennet, estou aqui esperando o busão!!! avisa lá o condutor!” Entrei no Café da esquina, comprei um chá, paguei, peguei, tudo isso praticamente sem olhar na cara do povo que tava me atendendo, de olho lá fora se o 70 vinha. Ui, que refresco bom aquele chá preto CHEIO de gelo!! Perguntei por ali pra onde ficava a tal F-O-U-R-T-H street, e um senhor me disse que a pé não ia rolar. Eu disse que pegaria um ônibus até lá mais na frente (sim, eu havia descido no ponto errado de novo!!!!), e aí ele fez uma cara de “é, pode ser”, e eu confiei que dava pra ser. Assim como no Rio de Janeiro, se da primeira vez que errei o ponto tive que esperar uns 12 minutos pra pegar o próximo 70, agora lá vinham dois emparelhados. E aí, será que o 379 vai parar pra mim, ou vai passar por fora como na Rio Branco e levar embora minha mala verde limão orgulhosamente compacta pra Charleston??? Corri, me fiz visível, pedi pro tio do 379 parar, e ufa! lá estava ela, verde, radiante, me esperando.

Avisei ao condutor que seguiria com ele e lá fomos nós. Quando a voz finalmente disse “Cutting Lane”, eu desci. iPhone maps, entre ali à direita e ande, minha filha… ande… Tá, o que é um peido pra quem já tá toda cagada, né? As placas diziam qualquer outra coisa, menos 4th Ave. Perguntei no posto de gasolina, a frentista disse que era por ali mesmo. Soooooobe, deeeeesce, deeeeesce de novo, vira pra direita, vira pra esquerda, aaaaanda, soooool na moleira… anda, anda, anda, passa carro pra lá, pra cá, e anda, anda, anda, as placas começam a dizer SEGUNDA avenida, e eu não acredito. Preciso dizer que o iPhone já tinha descarregado de novo? E eu, sozinha ali no meio daquele monte de pista, carro e prédio comercial, ia parar e abrir o computador pra carregar o equipamento de novo? Nem pensar, minha avó mandou tomar cuidado. Já tinha decidido que ia andar até achar um táxi, seja lá o que isso significasse em termos de milhares de passos. E de preço. Ia pedir pra recepcionista do hotel pagar pra mim na maior cara dura. Foda-se.

Anda, anda, anda, um estacionamento mega e lá atrás um prédio grande escrito “Diplomat Suites”. Nada que ver com “Extended Stay”, mas entrei no estacionamento, que na verdade era de um supermercado, o qual estava mais perto do que o tal Diplomat pra pedir informação. Fui lá. Tinha dois mocinhos saindo, com uniforme do lugar, pedi ajuda. Até água eles me deram, os bixim. Tão fofos. Eu tava no caminho certo, eu só não tinha me dado conta que o mapa dizia: caminhe 57 minutos do ponto do ônibus até o hotel. E que no meio do caminho havia, ainda por cima, uma rodovia. Então que do mercado pro hotel faltava bem pouco, mas mesmo assim ainda pedi pro rapaz me conseguir um táxi. Ele não conseguiu. Domingo, 6 da tarde, numa zona sem movimento, pra um trajeto de menos de 10 minutos? Rá! Depois de ter certeza de qual era o caminho, tomei mais um pouco de coragem e fui.

Sabe a BR 110? Sabe quando tem retorno pra pegar outra BR, que no máximo tem um acostamento, e nem pensar em calçada, que ali não é pra pedestre? Pois é. E eu era uma pedestre com uma mochila nas costas e carregando duas coisas com rodinhas, na beira da rodovia. É que tem um deus só pras perdidas, um só pras bêbadas e um só pras crianças, só pode ser. FINALMENTE, DA-DAM!!, a 3rd Ave., que leva à 4th Ave.!!

Tem alguma dúvida que todas elas levavam pra cima?
Cheguei no Extended Stay exausta, com sede, fome, e claro que o lugar não tem restaurante. Nem por perto! Mas tem máquina da coca-cola que vende minute-maid suco de laranja e uma do lado que vende chips, doritos, essas delícias ideais pra quem chega de uma jornada assim. Check in feito, entrei no quarto e olhei a hora. 6:08pm, o exato horário previsto para a chegada do Fernandinho no aeroporto de Boston.

Eu podia ter ficado no aeroporto e não ter essa história pra contar aqui. Eu teria preferido. Meus pés, pernas e braços ainda doem, mas vai passar. A lembrança do início dessa aventura nos EUA, essa eu duvido que passe.

Moral da história: uma viagem que começa com Ana Carolina, é isso aí…

Cenas do próximo capítulo:

Fernando chegou exausto de estar 24 horas em processo de viagem e fomos jantar na única opção próxima, que é o vizinho Westin. Por donde entramos, Jandirinha?

Caiu na rede é… zzzzzzzz…..

Há alguns dias, li, me diverti e me identifiquei com um post da Luciana Assunção sobre gente que tem facilidade para dormir em aviões. Ela tinha ido passar um feriado com a irmã em Buenos Aires e comentava que não consegue entender como é que tem gente que mal senta na poltrona e a cabeça já começa a cambalear pra um lado, pro outro, pra frente, e até gente que ronca, tão profundo o sono voador. Ela, que tem um certo medo de avião, não consegue.

A identificação foi imediata. Não é que eu não consiga dormir em avião, mas como boa aquariana e pessoa ansiosa que sou, dependendo do destino não tem Morfeu que me agarre nos braços. Um vôo Brasília-Rio, Rio-São Paulo, o outro destino doméstico em geral não me tiram o sono. Pelo contrário. Como sempre levo comigo alguma leitura para matar o tempo, basta começar aquele zunido das turbinas que o sono já vem vindo. A menos que seja uma viagem muito rápida, e se eu tiver dormido bem nos dias anteriores, a soneca é certa.

Agora, quanto mais distante e desconhecido o destino, mais longe também passa o sono. Da primeira vez que fui à Europa, Brasília-São Paulo-Amsterdam em 2006, quase não dormi durante o vôo. Assisti a todos os filmes possíveis, li, andei pelos corredores, tomei sorvete Hagen Daaz (KLM arrasa)… Dormir, que é bom, só depois que entrei na van que me levou, junto com outras participantes do mesmo evento, para a minúscula Egmond aan Zee. Eu estava tão esgotada que dormi profundamente e não pude contemplar os verdes campos de lá, cheios de vaquinhas malhadas. Em dado momento, escutei as várias latinas exclamarem um “ai que lindo!”. Acordei sobressaltada, olhei pela janela e disse em bom portugês: “olha, as baleias!”. Eram os para-quedas do povo que treinava kite-surfing, e eu jurei que as baleias voavam. Risinhos discretos ressoaram na van.

Egmond aan Zee - festival de kitesurfing

Outra situação inesquecível foi a viagem ao Vietnã, para participar de um congresso. Eu já vinha cansada de alguns dias, prévia de viagem é sempre assim, e o vôo era vespertino. De modo que acordei cedo pela manhã, dei conta de vários afazeres domésticos, preparei a casa para uma ausência de quas três semanas, rumei para o aeroporto. Doze horas e pouco até Paris, para uma conexão de mais doze horas. Nada de sono. Tentava, mas não conseguia dormir. Para piorar, não havia TV individual por poltrona, apenas monitores maiores por corredor. Assisti Marley e Eu, e não lembro mais o que. Tentei trabalhar, ler, mas a mulher que estava na poltrona da frente insistiu para que eu apagasse a luz de leitura, pois finalmente as três crianças que ela levava haviam dormido. Que raiva…

Com doze horas de conexão, eu não tinha por que ficar mofando aqui no Charles De Gaulle, de onde escrevo esse post, e fui dar uma volta pelo centro da cidade. Notre Damme, República, o Sena, Bastilha, um café aqui, um almoço ali… tudo isso com uma mochila pesadíssima nas costas. Pensei: não tem erro, vou dormir as próximas 12 horas de vôo até Hanoi. Nada. Nem assim. Chegando lá, contabilizei as horas sem dormir – foram nada menos que 50 (cin-quen-ta!) horas “no ar”, direto, sem desligar. Que raiva…

Retorno sem fim...

Mês passado fui à Tailândia e novamente assisti vários filmes durante as milhares de horas de vôo. Conexão em Dubai, significando 16 horas de vôo, sendo que a volta é mais longa porque vem contra o vento. Dubai-Bangkok é um trecho mais curto, de duas horas e meia – acho. Mas 17 horas dentro de um avião é dose pra leão, né não?

Pois agora estou indo realizar dois sonhos, um mais antigo – conhecer Istambul – e outro mais recente – participar de um Forum AWID. Passei as duas últimas semanas correndo como louca para dar conta dos compromissos e tarefas que precisavam estar prontas ANTES de viajar, e que não tem nada a ver com o que vou fazer em Istambul. Terminei o que precisava ficar pronto no sábado, quando comecei então a pensar na mala e afins – claro que esqueci luvas e protetores de orelha, e tá um frio danado. Só na sexta-feira é que fui conferir reserva em hotel, local da reunião, essas coisas. Claro que tinha problemas, mas consegui resolver. Mas toda a preparação das coisas que vou apresentar em Istambul ficaram para o avião – não durmo mesmo, certo?

ERRADO. Entrei no avião e simplesmente não consegui ficar acordada. Lu, lembrei tanto de você a cada vez que o pescoço doía e eu acordava pra mudar de posição! O bom é que a conexão dura 8 horas, então tá dando pra adiantar o trabalho.

Vai vendo…

Flor e Flora

– Oi.
– Seu pai tem boi?
– Tem não, babaca, tem vaca.
HAHAHAHAHAAHAHA

Por pouco mais de dois anos, esse diálogo foi algo corriqueiro de se escutar na minha casa, entre eu, meu filho, minha filha e o Pedro, melhor amigo de infância do meu irmão Zé, que tinha por mim uma paixonite de adolescência até os seus 13 anos, e que aos 23 veio passar um fim de semana na minha casa. Ficou esse período de pouco mais de dois anos, e só nos “separamos” porque mudei de cidade. Era tipo um casamento antigo: vivíamos sob o mesmo teto, dividíamos as tarefas domésticas e o cuidado com as crianças, mas não fazíamos sexo. Por isso, digo que Pedro é(ra) o meu “marido hétero”.

Não, ele não me converteu ao “heterossexualismo” – risos!! Mas foram dois doces anos que dividimos o mesmo apê e as mesmas crias, contas, empregada, louça… O que aprendi de mais marcante com Pedro? Amar grátis. Pedro gosta de espalhar amor feito bolinhas de sabão. Com ele aprendi a frase que um dia vou tatuar nas costas, igualzinho ele fez: “o mundo é bom porque é sortido”. Ele quer ter uma filha para poder chamá-la de um nome de flor. Violeta Matallo. Margarida Matallo. Rosa Matallo. Por enquanto, ele tem uma Flora, que não é Matallo no registro, é Mota. E quem precisa de registro civil quando o amor é mais?

O amor é mais, muito mais, no seio dessa família que junta Pedro Matallo com a mãe de Flora Mota, dona de uma voz particularmente linda e de uma tranquilidade de fazer parar maremoto. Luciana Oliveira estava preparando o Benjamim de Oliveira Matallo quando gravou esse clipe, que ela chama de Flor e Flora, e eu de “Amor Grátis”.

Deliciem-se.

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